Em participação no programa “Conversa com Bial” de 11 de agosto, na TV Globo, Marisa Monte fez uma revelação sobre a canção “Já Sei Namorar”, um dos maiores sucessos do projeto “Tribalistas”, entre 2002 e 2003. A cantora contou que a música surgiu de uma gravação antiga e começou a ser trabalhada anos antes do lançamento, com o parceiro Arnaldo Antunes, que também participou da entrevista, assim como o outro integrante do grupo, Carlinhos Brown.
"Quando comecei a compor com Arnaldo, não nos conhecíamos direito, mandei uma fita e não tinha coragem de fazer junto com ele, nem intimidade. A fita tinha duas músicas. Ele fez uma, que é 'Beija Eu'", iniciou a carioca. A outra música permaneceu guardada por cerca de uma década até ser recuperada por Marisa. "Quando eu fui à Bahia, dez anos depois, catei uma fita com coisas começadas. Quando cheguei lá falei: 'Arnaldo, essa fita tem 'Beija Eu', mas também tem outra música', que era 'Já Sei Namorar'. Ele falou: 'Pô, Marisa. Só você para ter isso'. Aí fizemos em dez minutos, a segunda letra, juntos", completou.
Crédito: Lunna Campos/Wikimedia CommonsA história da união artística entre Marisa, Arnaldo e Brown é tema do documentário “Tribalistas – O Baú da Hora Fértil”, dirigido por Dora Jobim. O filme tem previsão de estreia na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”, em outubro de 2026, e deve chegar aos cinemas brasileiros em 2027.
Crédito: DivulgaçãoNascida no Rio de Janeiro em 1º de julho de 1967, Marisa Monte teve contato com o universo musical já na infância. Seu pai, Carlos Saboia Monte, era diretor da escola de samba Portela, e ela estudou piano e bateria. Aos 18 anos, mudou-se para a Itália, onde aprofundou os estudos de canto lírico antes de retornar ao Brasil. Em 1987, estreou profissionalmente no Jazzmania, no Rio de Janeiro, com direção do jornalista e produtor Nelson Motta, reponsável por sua descoberta. Dois anos depois, lançou “MM”, seu primeiro álbum, que reuniu influências como samba, jazz, soul, bossa nova e rock.
Crédito: Léo Aversa/DivulgaçãoO sucesso de “Bem Que Se Quis”, versão de Nelson Motta para canção do italiano Pino Daniele, projetou Marisa nacionalmente e abriu caminho para uma carreira marcada pela diversidade musical. Em 1991, ela lançou “Mais”, trabalho que representou sua estreia como compositora e trouxe parcerias com nomes como Arnaldo Antunes e Nando Reis. A música “Beija Eu”, composta com Arnaldo e Arto Lindsay, tornou-se outro destaque de sua trajetória.
Crédito: Reprodução/YoutubeAo longo dos anos 1990, Marisa consolidou uma identidade artística própria e também passou a atuar como produtora musical. Em 2000, lançou “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor”, álbum que se tornou um dos trabalhos mais importantes de sua carreira solo. A cantora ampliou ainda sua atuação nos bastidores da música brasileira por meio da Phonomotor, selo criado por ela em 1989. Essa combinação entre interpretação, composição e produção ajudou a estabelecer Marisa como uma artista de forte autonomia criativa.
Crédito: Léo Aversa/DivulgaçãoEm 2002, a cantora se juntou a Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown para formar os Tribalistas. A parceria nasceu durante uma temporada de gravações em Salvador e resultou em uma série de músicas compostas pelos três. No ano seguinte, parte desse repertório foi registrada no álbum “Tribalistas”. O disco produziu sucessos como “Já Sei Namorar” e “Velha Infância”, alcançou grande repercussão no Brasil e no exterior, recebendo cinco indicações ao Grammy Latino, vencendo na categoria de Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro.
Crédito: Reprodução/InstagramA carreira de Marisa Monte seguiu combinando trabalhos autorais, releituras e colaborações com diferentes gerações da música brasileira. Em 2014, por exemplo, lançou “Verdade Uma Ilusão”, registro de uma turnê que reuniu músicas de diferentes fases de sua obra. Em 2017, os Tribalistas voltaram a se reunir para um segundo álbum, novamente com Marisa, Arnaldo e Brown. Reconhecida pela capacidade de transitar entre tradição e contemporaneidade, Marisa construiu uma trajetória de mais de três décadas marcada pela preservação de suas referências e pela busca constante por novas formas de criação.
Crédito: Mariana Pekin/USP Imagens/Wikimedia Commons