Menopausa no mundo animal: descoberta sobre gorilas surpreende cientistas

Durante muito tempo, a menopausa foi considerada uma característica exclusiva das mulheres. Entretanto, pesquisas identificaram fenômenos semelhantes em outras espécies. Em outubro de 2025, um estudo revelou que as gorilas-da-montanha (Gorilla beringei beringei) também podem passar por essa fase, embora a confirmação dependa de novas análises hormonais.

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A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionista, na Alemanha, e divulgada em outubro de 2025 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

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O estudo foi conduzido pelos cientistas Nikolaos Smit e Martha Robbins, que analisaram décadas de observações de gorilas-da-montanha no Parque Nacional Impenetrável de Bwindi, em Uganda, na África Oriental.

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Os pesquisadores analisaram dados de 25 fêmeas adultas de gorilas-da-montanha e constataram que sete delas viveram pelo menos dez anos após a última reprodução, um indício de que esses animais podem passar por uma fase pós-reprodutiva prolongada.

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Duas fêmeas chegaram perto dos 50 anos, idade raramente alcançada por gorilas na natureza. Para avaliar o período pós-reprodutivo, os cientistas consideraram o intervalo médio entre os nascimentos dos filhotes, que varia de quatro a seis anos.

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As fêmeas eram consideradas em fase pós-reprodutiva quando passavam pelo menos o dobro do intervalo médio entre partos sem ter filhotes ou acasalar. A maioria tinha mais de 35 anos e estava sem acasalar havia mais de sete anos e meio. Segundo as estimativas, elas passam cerca de 10% da vida adulta nessa fase.

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Os cientistas ainda não confirmaram que o fenômeno seja idêntico à menopausa humana, pois a ausência de filhotes também pode resultar de problemas gestacionais. Entretanto, análises hormonais de fêmeas mais velhas identificaram alterações semelhantes às observadas em mulheres durante a menopausa, reforçando essa possibilidade.

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Até então, a menopausa havia sido documentada em poucas espécies de cetáceos com dentes, como orcas, belugas e narvais, além de uma população de chimpanzés da região de Ngogo, em Uganda. A descoberta sobre as gorilas-da-montanha amplia as evidências de que o fenômeno também pode ocorrer em outros primatas.

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A menopausa em animais intriga os cientistas: por que a evolução teria preservado uma característica que interrompe a reprodução antes do fim da vida? À luz da teoria da seleção natural, desenvolvida por Charles Darwin no século 19, essa condição parece contraditória, já que limita a possibilidade de gerar descendentes.

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A interrupção da reprodução reduz as oportunidades de transmitir genes, mas pode favorecer a sobrevivência dos descendentes. É o que propõe a chamada “hipótese da avó”: ao deixar de ter filhotes, a fêmea passa a dedicar mais tempo e energia aos netos, aumentando suas chances de sobrevivência. Essa teoria ajuda a explicar a menopausa em humanos e orcas.

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Entre as gorilas-da-montanha, a explicação pode ser diferente. Como as fêmeas frequentemente mudam de grupo, nem sempre permanecem próximas dos netos. Por isso, os pesquisadores consideram a “hipótese da mãe”, segundo a qual o período pós-reprodutivo permitiria às fêmeas dedicar mais tempo aos filhotes já nascidos, oferecendo proteção até que amadureçam.

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