Uma torre erguida na Noruega e finalizada no ano de 2019 se tornou um dos exemplos mais conhecidos do uso de madeira planejada em edifícios altos. O Mjøstårnet, como é chamado o prédio, tem 85,4 metros de altura, 18 pavimentos e utiliza o glulam, também chamado de "madeira laminada colada", como principal componente de seu sistema estrutural.
Ao todo, são 22 colunas principais e quatro grandes treliças instaladas nas fachadas, responsáveis por contribuir para a resistência da torre diante das cargas e da ação dos ventos. Por menos de 1 metro, o Mjøstårnet é o segundo edifício de madeira mais alto do mundo, só atrás do Ascent, localizado em Wisconsin, nos Estados Unidos.
Crédito: ReproduçãoO glulam é formado pela união de várias lâminas de madeira, cujas fibras seguem predominantemente a mesma direção, característica que permite a fabricação de vigas, pilares e diagonais resistentes. Nas fachadas, as grandes treliças funcionam como elementos de contraventamento e ajudam a conduzir as forças horizontais provocadas pelo vento até as fundações.
Crédito: ReproduçãoComo a madeira apresenta massa inferior à do concreto, o projeto também precisou considerar os movimentos do edifício, sobretudo nos andares mais altos, onde oscilações podem afetar o conforto dos ocupantes. Por esse motivo, o concreto recebeu uma função específica nas lajes dos sete pavimentos superiores, com peças de aproximadamente 300 milímetros de espessura.
Crédito: ReproduçãoO peso adicional contribui para melhorar a resposta dinâmica da torre sem retirar da madeira seu papel predominante. Outro produto empregado é o CLT, sigla em inglês para madeira laminada cruzada, formada por camadas dispostas em diferentes direções.
Crédito: ReproduçãoNa Mjøstårnet, esse material aparece em escadas, poços de elevadores, algumas varandas e outros componentes, enquanto o glulam permanece responsável pela maior parte da estrutura resistente. O aço também faz parte do projeto, sobretudo nas conexões entre as peças de madeira, com placas e pinos que transferem esforços entre os elementos.
Crédito: ReproduçãoParte dessas conexões fica protegida no interior da madeira, estratégia que ajuda a preservar o desempenho do metal em caso de incêndio. Além do dimensionamento adequado das peças, o edifício conta com sprinklers, compartimentação e sistemas de proteção nas rotas de fuga para reduzir os riscos.
Crédito: ReproduçãoO resultado é uma estrutura híbrida, sem que os materiais tradicionais precisem desaparecer. A Mjøstårnet mostrou como os recursos tradicionais da construção civil podem atuar de forma complementar, permitindo que a madeira assuma o papel de protagonista em arranha-céus sem eliminar o aço e o concreto de funções estratégicas.
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