Em uma tentativa de conter o vertiginoso encolhimento da monarquia mais antiga da humanidade, o Parlamento do Japão aprovou uma ampla reforma na Lei da Casa Imperial. Essa será a primeira reformulação estrutural no setor desde meados do século passado.
O texto já recebeu o aval das duas casas do Parlamento e agora segue para as etapas finais antes de entrar em vigor. Entre as novidades, a legislação autoriza o retorno de homens pertencentes a antigos ramos da família imperial que perderam esse status após a reorganização promovida no fim da Segunda Guerra Mundial.
Crédito: Reprodução @kunaicho_jpEsses parentes poderão voltar a integrar oficialmente a Casa Imperial, e seus futuros descendentes homens também terão direito à sucessão. Outra mudança importante permite que princesas mantenham o título e a condição de membros da família imperial mesmo depois de se casarem com cidadãos comuns, algo que antes resultava automaticamente na saída da instituição.
Crédito: Mạnh Ngô/UnsplashNo entanto, os filhos dessas uniões continuam excluídos da linha sucessória. A reforma busca ampliar o número de integrantes disponíveis para representar a monarquia em cerimônias, eventos oficiais e compromissos públicos, já que a família imperial reúne atualmente apenas 16 membros, dos quais somente cinco são homens.
Crédito: Wikimedia CommonsA medida representa a mudança mais significativa nas regras da monarquia desde o período pós-Guerra, mas preserva um dos pontos mais debatidos do sistema sucessório. Apesar das alterações, mulheres continuam impedidas de herdar o chamado Trono do Crisântemo, o que mantém a princesa Aiko, única filha do imperador Naruhito, fora da linha de sucessão.
Crédito: ReproduçãoPelas regras em vigor, o primeiro sucessor é o príncipe Fumihito, irmão mais novo do imperador, seguido por seu filho, o príncipe Hisahito. O terceiro na ordem de sucessão é o tio de Naruhito, de 90 anos, o que evidencia a limitação da atual linha hereditária.
Crédito: Reprodução/Nippon Television News JapanCaso Hisahito não tenha um filho homem, a sucessão ficará sem novos herdeiros elegíveis segundo a legislação vigente. Embora o Japão tenha sido governado por oito imperatrizes ao longo de sua história, as leis modernas restringem o trono exclusivamente aos descendentes masculinos pela linhagem paterna.
Crédito: Reprodução/South China Morning PostA decisão contrasta com a opinião da maior parte da população japonesa, já que pesquisas recentes apontam amplo apoio à possibilidade de uma mulher assumir o trono. Mesmo assim, setores conservadores defendem a manutenção da tradição, sob o argumento de preservar a continuidade histórica da monarquia hereditária mais antiga do mundo, cuja origem remonta a mais de 2.600 anos.
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