Montanha que inspirou animação da Pixar tem rochas de 2 bilhões de anos! Conheça o Monte Roraima

Ao redor do planeta, existem formações naturais que impressionam não apenas pela aparência, mas também pela história geológica que carregam ao longo de milhões de anos. Muitas dessas paisagens ajudam cientistas a compreender melhor a evolução do relevo terrestre e das espécies que nele se desenvolveram. Em alguns casos, o isolamento natural dessas regiões contribuiu para preservar ambientes raros e pouco alterados pela ação humana. Montanhas antigas e de difícil acesso costumam reunir todos esses elementos em um único cenário. Entre os exemplos mais emblemáticos desse tipo de formação está o imponente Monte Roraima.

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Situado na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, o Monte Roraima é uma das formações rochosas mais antigas da Terra, uma relíquia geológica do Pré-Cambriano cujas raízes remontam a quase dois bilhões de anos.

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Considerado um tepui — termo tradicional do povo pemón associado à ideia de “morada dos deuses” —, o maciço foi fragmentado pela erosão ao longo de eras geológicas e deu origem a montanhas de topo plano isoladas como verdadeiras ilhas rochosas.

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Suas encostas verticais compostas principalmente por arenito e quartzito ultrapassam mil metros de altura e o topo, frequentemente encoberto por neblina, reforçam a impressão de um território separado do restante da paisagem.

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O isolamento prolongado do monte favoreceu o surgimento de ecossistemas únicos, com espécies que evoluíram de forma independente por milhões de anos. Apesar de estar cercado por savanas e pela floresta amazônica, o ambiente no platô apresenta clima mais frio, chuvas constantes e solos pobres em nutrientes.

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Essas condições estimularam o aparecimento de plantas altamente especializadas, incluindo espécies carnívoras capazes de capturar insetos para suprir suas necessidades nutricionais, como as plantas-jarro.

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Aproximadamente um terço da vegetação dos tepuis não existe em nenhuma outra parte do planeta. Répteis, anfíbios e diversos invertebrados também apresentam um elevado grau de exclusividade evolutiva.

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No topo do planalto, o relevo abriga formações rochosas em formatos incomuns, piscinas naturais, mirantes, cachoeiras gigantes como o Salto Ángel e cavernas raras escavadas em quartzito pela ação contínua da água ao longo de milhares de anos.

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Além de sua importância científica e cultural, o local se tornou um destino conhecido entre praticantes de trekking, atraídos pela subida ao topo situado a 2.810 metros de altitude, que leva de sete a nove dias.

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Para povos indígenas como Pemon, Ingarikó e Macuxi, o local é sagrado e associado à origem do mundo. O acesso difícil manteve a área pouco explorada até o século 19, quando o britânico Everard im Thurn realizou uma das primeiras expedições documentadas em 1884.

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Além disso, a paisagem inspirou o escritor escocês Arthur Conan Doyle a criar o romance "O Mundo Perdido", publicado em 1912, que imaginava um planalto remoto habitado por criaturas pré-históricas.

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Posteriormente, essa mesma estética influenciou produções cinematográficas contemporâneas, como na ambientação da animação "Up: Altas Aventuras", lançada em 2009 pela Disney Pixar.

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Atualmente, a região está protegida por importantes áreas de conservação ambiental nos três países que compartilham o maciço. No lado brasileiro, destaca-se o Parque Nacional do Monte Roraima, criado em 1989 durante o governo de José Sarney. Já na Venezuela, o território integra o Parque Nacional Canaima, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO.

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