Na Alemanha, projeto aproveita espaço acima das estradas para gerar energia com painéis solares suspensos

A busca por novas formas de produzir energia limpa levou pesquisadores europeus a olhar para um espaço pouco explorado: a área acima das rodovias. Na Alemanha, um projeto conhecido como "PV-SÜD" avaliou a instalação de coberturas fotovoltaicas suspensas sobre estradas, com o objetivo de gerar eletricidade sem alterar o pavimento nem ocupar novos terrenos. Em vez de incorporar células solares ao asfalto, como ocorre nas chamadas "estradas solares", a proposta utiliza estruturas elevadas que transformam o espaço sobre a pista em uma grande superfície de captação de energia.

Crédito: Divulgação/Fraunhofer ISE

O projeto foi coordenado pelo AIT Austrian Institute of Technology, com participação do Fraunhofer Institute for Solar Energy Systems ISE e da empresa Forster Industrietechnik, dentro de uma cooperação financiada por instituições públicas da Suíça, Alemanha, e da Áustria. A iniciativa incluiu o desenvolvimento do conceito, a construção de um demonstrador em escala real e uma extensa fase de monitoramento para avaliar desempenho energético, segurança e impactos sobre a infraestrutura viária.

Crédito: Divulgação/Fraunhofer ISE

A principal diferença em relação às estradas solares convencionais está na preservação do asfalto para sua função original, enquanto os módulos fotovoltaicos permanecem posicionados acima do tráfego. Essa configuração evita que os painéis sofram desgaste provocado por pneus, frenagens, vibrações constantes, acúmulo de sujeira e impactos causados por veículos pesados.

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Em compensação, a solução exige uma estrutura robusta capaz de suportar rajadas de vento, neve e eventuais colisões, além de garantir acesso seguro para inspeções e reparos. Parte da concepção se inspira em elementos já presentes nas rodovias, como pórticos de sinalização, mas com requisitos mais rigorosos devido ao peso e à sensibilidade dos módulos solares.

Crédito: Reprodução/YouTube Handelsblatt

O interesse por esse modelo está ligado ao aproveitamento de áreas que já pertencem à infraestrutura de transporte. Rodovias, pedágios, áreas de descanso, pontes e entradas de túneis representam espaços disponíveis para a geração de eletricidade sem necessidade de novos processos de ocupação territorial.

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Segundo os pesquisadores, o consumo de energia associado à operação das estradas cresce à medida que aumentam os sistemas de iluminação, monitoramento, controle de tráfego e segurança. Nesse contexto, a cobertura fotovoltaica surge como uma alternativa capaz de reunir produção de energia renovável e suporte às necessidades energéticas da própria malha rodoviária.

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Além da geração elétrica, o projeto investigou possíveis benefícios indiretos da cobertura. Entre eles estão a proteção do pavimento contra chuva intensa, a redução da exposição ao calor excessivo, o aumento potencial da vida útil da pista e até a diminuição da propagação de ruídos em determinados trechos.

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A menor incidência de intempéries pode reduzir o desgaste da superfície ao longo dos anos e diminuir a frequência de intervenções de manutenção. No entanto, esses efeitos ainda dependem de avaliações prolongadas para comprovar sua eficácia em condições reais de operação.

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Durante os testes, os pesquisadores acompanharam fatores como rendimento energético, drenagem da água, resistência estrutural, impactos mecânicos, cargas climáticas e segurança do tráfego. A cobertura recebeu um desenho modular que permite expansão conforme a necessidade e adaptação a diferentes tipos de rodovia.

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O projeto também considerou a possibilidade de danos localizados provocados por acidentes, de modo que um incidente não comprometa toda a estrutura. Escadas e passarelas foram incorporadas ao conceito para facilitar inspeções e reparos periódicos. Na escolha dos painéis, o Fraunhofer ISE optou por módulos cristalinos de alta eficiência, mais adequados para otimizar a produção de energia em uma área relativamente limitada.

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Vale ressaltar que, embora a proposta elimine muitos dos obstáculos enfrentados pelas estradas solares instaladas diretamente no pavimento, ela depende de estruturas mais complexas e custosas do que sistemas fotovoltaicos convencionais. Por isso, a viabilidade econômica permanece como um fator decisivo.

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Os pesquisadores acreditam que a aplicação mais realista não envolve cobrir quilômetros contínuos de autobahns, mas utilizar a tecnologia em pontos estratégicos, como pedágios, áreas de serviço, pontes, túneis e trechos que demandem proteção acústica adicional. O impacto visual das estruturas também faz parte das análises, já que coberturas elevadas alteram significativamente a paisagem.

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