Há 40 anos, no dia 18 de fevereiro de 1986, morria Nelson Cavaquinho, um dos nomes mais importantes da história do samba.
Nelson Antônio da Silva, que viria a se tornar conhecido pelo nome artístico de Nelson Cavaquinho, nasceu em 28 de outubro de 1910, na rua Mariz e Barros, no Rio de Janeiro.
Crédito: Reprodução do YoutubeDesde muito jovem, teve contato com a música por influência familiar: o pai era contramestre da banda da Polícia Militar e seu tio tocava violino. Seu primeiro instrumento foi um contrabaixo herdado do pai, que ele costumava levar para as festas de carnaval.
Crédito: DivulgaçãoAos 20 anos, já casado com Alice Ferreira Neves e trabalhando na Polícia Militar por determinação do pai, começou a frequentar o morro da Mangueira nas rondas noturnas que fazia a cavalo.
Crédito: Reprodução do YoutubeNesse contexto, conheceu nomes importantes do local, como Cartola e Carlos Cachaça, iniciando parcerias e amizades que teriam papel decisivo em sua formação artística e em sua trajetória no gênero.
Crédito: Reprodução do livvro, Divino Cartola uma vida em verde e rosaComo compositor, Nelson desenvolveu inicialmente um trabalho solitário, escrevendo suas próprias letras. Essa dinâmica mudou na década de 1950, quando conheceu Guilherme de Brito, com quem estabeleceu uma parceria marcante no cancioneiro nacional.
Crédito: Reprodução do YoutubeUnidos pela paixão pela Mangueira, os dois passaram a criar canções dedicadas à escola e à comunidade, como “Folhas Secas” e “Pranto de Poeta”, que se tornariam referências no repertório do samba. A primeira, aliás, acabou gerando um desentendimento entre duas das maiores cantoras do país, Beth Carvalho e Elis Regina, por conta da primazia na gravação.
Crédito: Reprodução do YoutubeJuntos, Nelson e Guilherme produziram obras marcadas por forte carga poética e emocional, como “A Flor e o Espinho”, assinada também por Alcides Caminha. As flores, aliás, aparecem com frequência em sua obra, associadas tanto à feminilidade quanto à finitude, como ocorre na canção “Eu e as Flores”, em que a proximidade da morte surge de forma delicada e simbólica.
Crédito: Reprodução do YoutubeNelson Cavaquinho desenvolveu um estilo muito próprio ao tocar violão. Ao trocar o cavaquinho pelo instrumento de seis cordas, manteve a técnica peculiar de utilizar apenas dois dedos da mão direita, o polegar e o indicador.
Crédito: Reprodução do Arquivo Nacional do BrasilEssa forma de tocar contribuiu para a sonoridade característica de suas composições e reforçou sua identidade musical, facilmente reconhecível nas rodas de samba.
Crédito: Reprodução do YoutubeApesar de sua relevância artística, Nelson gravou apenas dois discos solo ao longo da carreira. Sua vida e seu cotidiano foram registrados no curta-metragem “Nelson Cavaquinho”, dirigido por Leon Hirszman em 1970, que o retrata ao lado de amigos na Mangueira e em rodas de samba.
Crédito: Reprodução do YoutubeA partir de 1938, Nelson passou a vender direitos sobre suas músicas como forma de garantir sua sobrevivência após deixar o trabalho na polícia. Nesse processo, muitos compradores acabaram sendo incluídos como coautores das obras. Por esse motivo, é difícil identificar com precisão todos os seus parceiros de criação além de Guilherme de Brito.
Crédito: Reprodução do YoutubeEntre os sambas que se tornaram clássicos do repertório do samba estão “Folhas Secas”, “Juízo Final”, “A Flor e o Espinho”, “Luz Negra” e “Quando Eu Me Chamar Saudade”.
Crédito: Reprodução do YoutubeEssas obras permanecem presentes na memória musical brasileira, interpretadas por diferentes gerações de artistas e admiradas pela força lírica e emocional.
Crédito: Reprodução do YoutubeApós o fim do primeiro casamento, em que teve quatro filhos, Nelson passou a viver com Durvalina, 30 anos mais jovem, com quem manteve relacionamento por mais de duas décadas.
Crédito: Reprodução do YoutubeNos últimos anos de vida, conviveu com problemas de saúde, mas seguiu ligado ao samba e à Mangueira até o fim. Ele morreu na madrugada de 18 de fevereiro de 1986, aos 74 anos, vítima de enfisema pulmonar.
Crédito: Reprodução do YoutubeEm 2011, no centenário de seu nascimento, a Mangueira prestou homenagem ao compositor com o enredo “O Filho Fiel, Sempre Mangueira”, celebrando sua contribuição para o samba e para a identidade da escola.
Crédito: Reprodução do YoutubeQuarenta anos após sua morte, Nelson Cavaquinho segue reconhecido como um dos grandes nomes do samba. Seu legado permanece vivo nas rodas de samba, nas gravações e na história da música popular brasileira.
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