Okunoshima: ilha japonesa tomada por coelhos vira fenômeno turístico e guarda passado sombrio

Uma ilha situada no Mar Interior de Seto, junto à costa da Prefeitura de Hiroshima, tem se tornado um dos pontos turísticos mais peculiares do Japão. Isso porque, assim que os visitantes desembarcam em Okunoshima (ou "ilha dos coelhos", como ficou conhecida), são recebidos por uma cena incomum: coelhos surgem de todos os lados e se aproximam rapidamente em busca de atenção e alimento. A convivência frequente com turistas tornou os animais extremamente habituados à presença humana, transformando o local em uma das atrações mais curiosas e populares do país.

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Espalhados por trilhas, praias e áreas gramadas, centenas de coelhos vivem livremente pela ilha, criando uma paisagem que parece saída de um conto. A fama internacional do lugar cresceu especialmente após a divulgação de um vídeo publicado em 2014, que mostravam grandes grupos de coelhos acompanhando uma turista pelo território. A ausência de predadores naturais e a proibição da entrada de cães e gatos contribuíram para o crescimento da população desses animais ao longo das últimas décadas.

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Atualmente, a quantidade de coelhos varia conforme a época e os métodos de contagem utilizados, mas pode ultrapassar a casa dos milhares. Por trás da imagem tranquila e encantadora, porém, existe um passado marcado por acontecimentos sombrios. Entre 1929 e 1945, a ilha serviu como uma instalação secreta do Exército Imperial Japonês dedicada à fabricação de armas químicas durante a Segunda Guerra Mundial.

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O grau de sigilo era tão elevado que Okunoshima chegou a ser removida de mapas oficiais durante esse período. Nas fábricas instaladas ali foram produzidas grandes quantidades de substâncias tóxicas, incluindo gás mostarda, utilizado em conflitos militares na Ásia. Ainda hoje, ruínas das antigas instalações permanecem espalhadas pela ilha como testemunhas silenciosas desse capítulo da história.

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Com o intuito de preservar a memória desse período, foi criado o "Museu do Gás Venenoso de Okunoshima", que reúne documentos, equipamentos, fotografias e relatos relacionados à produção de armas químicas. Apesar de sua importância histórica, muitos turistas visitam a ilha principalmente por causa dos coelhos e acabam deixando o museu em segundo plano.

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A origem dos animais também desperta curiosidade. Durante anos, circulou a teoria de que eles seriam descendentes de coelhos utilizados em experimentos militares. No entanto, pesquisas históricas indicam que os animais empregados nos testes não sobreviveram ao fim da guerra.

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A explicação mais difundida aponta que alguns estudantes soltaram coelhos na ilha na década de 1970, dando início à população que é encontrada hoje. Estudos mais recentes dão a entender ainda que outros exemplares foram abandonados no local com o passar dos anos.

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Com o aumento da popularidade da ilha, surgiram também preocupações relacionadas ao bem-estar dos coelhos, pois muitos deles passaram receber comidas oferecidas por turistas e voluntários. Essa realidade demanda acompanhamento contínuo para assegurar a proteção dos animais e manter o equilíbrio ambiental diante do grande número de visitantes que chegam ao local anualmente.

Crédito: Reprodução/YouTube Jin Travelog

Além dos coelhos e de passado militar, Okunoshima oferece atrações naturais que ajudam a explicar sua popularidade entre turistas japoneses e estrangeiros. A ilha possui cerca de 4 quilômetros de circunferência e pode ser explorada a pé ou de bicicleta por meio de trilhas que passam por florestas, mirantes e áreas costeiras.

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Em dias de céu limpo, os visitantes contemplam belas paisagens do Mar Interior de Seto e das ilhas vizinhas. O local também conta com um hotel, fontes termais, áreas para camping e espaços destinados ao lazer ao ar livre. Parte das antigas instalações militares permanece preservada, incluindo depósitos, túneis e ruínas de fábricas que lembram o papel estratégico da ilha durante a 2ª Guerra.

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A ilha, também apelidada de Usagi Shima, abriga um único hotel, o Kyukamura Okunoshima, que serve de apoio para os viajantes com serviços de hospedagem e aluguel de bicicletas. O acesso ao local ocorre por meio de balsas que partem do porto de Tadanoumi, na cidade de Takehara, em uma viagem curta de cerca de 15 minutos.

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Embora o turismo movimente a economia da região, biólogos alertam para os riscos dessa dinâmica. A falta de fontes de água doce natural na ilha obriga voluntários a abastecerem potes espalhados pelas trilhas para evitar a desidratação dos coelhinhos durante o verão.

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