Pesquisa revela que fósseis de 544 milhões de anos não pertenciam aos primeiros animais da Terra

Há cerca de 580 milhões de anos, a Terra atravessou uma das fases mais importantes de toda a sua história. Em um intervalo relativamente curto para os padrões geológicos, os oceanos passaram por profundas mudanças químicas, houve aumento da oxigenação das águas e surgiram os primeiros animais com formas de vida mais complexas.

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Esse período marcou uma transformação decisiva na evolução do planeta e deixou registros preservados em raras formações rochosas encontradas em poucos países, entre eles o Brasil. Em território brasileiro, os principais vestígios aparecem em áreas de Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso do Sul, locais que despertam grande interesse da comunidade científica.

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Durante anos, pesquisadores acreditaram que algumas estruturas presentes nas rochas de Corumbá representavam trilhas produzidas por pequenos animais que já exploravam o fundo do mar há aproximadamente 544 milhões de anos. Essa interpretação ajudava a explicar o início da ocupação dos sedimentos marinhos e a transição entre os períodos Pré-Cambriano e Cambriano.

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No entanto, um novo estudo da Universidade de Harvard, que contou com participação do pesquisador brasileiro Lucas Veríssimo Warren, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), revisou essa hipótese utilizando equipamentos muito mais avançados.

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As análises revelaram que as supostas marcas de animais eram, na realidade, fósseis de comunidades formadas por cianobactérias e algas filamentosas, organismos muito mais simples que habitavam os oceanos muito antes do aparecimento dos primeiros animais.

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Para chegar a essa conclusão, os cientistas combinaram técnicas como microscopia eletrônica — que ajuda a ver o fóssil em altíssima resolução —, microtomografia tridimensional e imagens obtidas pelo acelerador de partículas Sirius, instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, São Paulo.

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Os exames permitiram observar detalhes microscópicos preservados nas rochas sem danificar as amostras, incluindo paredes celulares e estruturas incompatíveis com organismos capazes de escavar sedimentos. Outro fator importante foi a datação precisa das rochas por meio de uma camada de cinzas vulcânicas, que indicou idade próxima de 544 milhões de anos.

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"Essa região já havia sido habitada por diferentes gerações de organismos, algumas inclusive que foram extintas", ressalta o pesquisador brasileiro. Segundo Warren, além de corrigir interpretações anteriores, a pesquisa estabelece critérios mais confiáveis para identificar fósseis semelhantes e amplia o conhecimento sobre os primeiros capítulos da vida na Terra.

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