Nos últimos três anos, arqueólogos iniciaram uma ampla pesquisa na região de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e já localizaram cerca de 100 mil peças e fragmentos históricos. Durante o século 19, a antiga Vila de Iguassú ocupou posição estratégica nas rotas comerciais do Brasil Imperial. Antes da chegada das ferrovias, o transporte de mercadorias dependia de estradas de terra, rios navegáveis e tropas de animais que levavam produtos agrícolas, principalmente café, até o porto do Rio de Janeiro. A vila prosperou justamente por funcionar como elo entre os caminhos terrestres e o transporte fluvial, tornando-se um dos pontos mais movimentados da Baixada Fluminense.
O fluxo intenso de viajantes, comerciantes e tropeiros impulsionou o crescimento da região, que chegou a receber até a visita do imperador durante o auge de sua importância econômica. Armazéns, hospedarias e pequenos comércios prosperaram graças à circulação constante de mercadorias e pessoas que cruzavam a antiga rota imperial. Com a implantação das linhas férreas, porém, a dinâmica comercial mudou rapidamente. O café passou a seguir pelos trens, o movimento diminuiu e a antiga vila acabou abandonada.
Crédito: Montagem/Reprodução TV Globo/Domínio PúblicoAos poucos, a população migrou para áreas próximas às estações ferroviárias, dando origem ao crescimento urbano da atual Nova Iguaçu. Apesar do desaparecimento da antiga cidade, vestígios desse passado permaneceram enterrados durante décadas. Entre os materiais encontrados pelos arqueólogos estão louças, objetos domésticos, joias, tijolos, utensílios importados e itens ligados ao cotidiano da sociedade imperial brasileira.
Crédito: Reprodução/TV GloboMuitos desses objetos estavam espalhados em quintais e terrenos particulares, preservados involuntariamente pelos moradores da região. As escavações revelam ainda detalhes sobre hábitos de consumo, circulação de mercadorias e costumes sociais da época.
Crédito: Reprodução/TV GloboFrascos importados de Londres, recipientes de pasta de dente fabricados em Paris e até botões com símbolos do Império ajudam a reconstruir a história de um local que já esteve entre os mais importantes caminhos comerciais do país. Muitos moradores ajudam nos achados: "Meu pai sempre fez questão de que nós zelássemos por isso", contou Allan Ferreira de Lucena, ao Jornal Nacional.
Crédito: Reprodução/TV GloboParte do material encontrado passou a integrar um museu inaugurado em abril de 2026 para preservar e apresentar essas descobertas ao público. As descobertas ajudam a reconstruir o cotidiano de um dos caminhos comerciais mais importantes do Brasil Imperial e revelam como uma região antes esquecida ainda guarda capítulos valiosos da história nacional enterrados sob o solo.
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