Presidente do Conselho Federal de Medicina lamenta formação profissional no Brasil: ‘Sofrível’

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran da Silva Gallo, deu uma declaração recenter sobre os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), expressando preocupação.

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Ele classificou como “sofrível” a formação médica no Brasil após os resultados do exame revelarem que 30% dos cursos (107 instituições) tiveram desempenho insatisfatório.

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Diante da situação, o conselho estuda uma resolução para impedir o registro profissional de recém-formados que não atinjam a nota mínima no exame.

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O CFM também apoia a criação de um segundo teste obrigatório, o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), semelhante ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), embora a iniciativa encontre resistência no governo.

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A proposta, defendida por José Gallo, ainda depende de análise jurídica e enfrenta risco de judicialização.

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Enquanto isso, instituições privadas contestaram a interpretação dos dados e criticaram falhas no processo.

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A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) argumenta que o Enamed avalia conteúdos acadêmicos, não a aptidão profissional.

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O órgão afirma ainda que houve problemas metodológicos, mudanças nos critérios após a prova e falhas de comunicação com as faculdades.

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Das 351 universidades avaliadas, 99 serão alvo de processos administrativos do Ministério da Educação (MEC).

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Dependendo da gravidade do desempenho, as punições incluem: proibição de aumentar o número de vagas; redução de cadeiras existentes; suspensão do Fies; e suspensão total de novos vestibulares.

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“Oitenta cursos atingiram critérios só minimamente aceitáveis, e 13 mil atingiram os conceitos 1 e 2. É sofrível e preocupante”, disse José Gallo.

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Apesar do quadro crítico, o processo enfrenta uma crise de credibilidade devido a inconsistências nos dados divulgados pelo Inep.

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O instituto admitiu que informou às faculdades uma nota de corte de 58 pontos em dezembro, mas os resultados oficiais publicados em janeiro utilizaram 60 pontos.

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Essa mudança alterou o conceito de muitas faculdades (de “aceitável” para “insatisfatório”). Por causa do erro, o instituto abriu prazo de cinco dias para recursos das instituições.

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Representantes de instituições afirmaram que a mudança na nota de corte após a prova pode ser questionada judicialmente.

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Ao jornal O Globo, o presidente do Inep, Manuel Palacios, declarou que “houve realmente uma inconsistência nesses dados, mas os resultados individualizados tiveram a nota correta e a publicação.”

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“No dia 12 de dezembro, os resultados de cada participante do Enamed, não apenas os concluintes, mas os médicos que participaram, foram publicados. Os inscritos tiveram acesso aos boletins individuais, com os seus percentuais de acertos”, comentou.

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O Enamed teve cerca de 89 mil participantes, entre médicos já formados e estudantes concluintes. A prova é obrigatória.

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