Quem é Mateus Aleluia, artista brasileiro sampleado por Anitta e que esgotou ingressos em minutos no RJ

O cantor e compositor brasileiro Mateus Aleluia chamou atenção ao esgotar rapidamente os ingressos de duas apresentações no Rio de Janeiro, mostrando a força de um legado construído ao longo de décadas. Integrante da formação clássica dos Tincoãs, ele ajudou a eternizar "Cordeiro de Nanã", lançada em 1977 e posteriormente regravada por João Gilberto.

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Nos últimos anos, a canção conquistou uma nova geração ao ser sampleada por Anitta na faixa "Nanã", do álbum "Equilibrivm", além de contar com admiradores internacionais, como a cantora estadunidense Lizzo. "Essa música não é minha. Ela é nossa, no sentido mais abrangente possível", disse o baiano em entrevista para O Globo.

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Além dos shows no Teatro da Caixa Cultural Nelson Rodrigues, Mateus lançou recentemente um novo álbum solo, homônimo, e o livro "Afrobarroco", no qual aborda temas como identidade, cultura e ancestralidade. Em suas apresentações, ele aposta em um formato intimista, apenas com voz e violão, para, segundo ele, "mostrar quem realmente é".

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Nascido em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, em 25 de setembro de 1943, Mateus Aleluia é reconhecido como uma das vozes mais importantes da música popular do Brasil. Além de cantor, compositor e violonista, ele construiu uma trajetória marcada pela valorização das tradições africanas e da religiosidade de matriz africana.

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Na década de 1960, participou da criação do grupo Os Tincoãs, ao lado de Dadinho e Heraldo, com a proposta de unir harmonias vocais sofisticadas a elementos da cultura baiana. O trio ganhou destaque por reinterpretar sambas de roda, cantigas populares e cânticos ligados ao candomblé, sempre com grande respeito às origens dessas manifestações.

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Essa combinação resultou em um estilo único, que influenciou diversas gerações de artistas brasileiros. Após o fim do grupo, Mateus Aleluia viveu por mais de duas décadas em Angola, onde aprofundou seus estudos sobre as conexões entre as culturas africana e brasileira.

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De volta ao Brasil, retomou a carreira solo com discos elogiados pela crítica e apresentações que destacam sua voz marcante e seu repertório de forte identidade cultural. Até hoje, Os Tincoãs permanecem como uma referência na preservação e divulgação da herança africana presente na música brasileira.

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A obra do grupo continua atual por sua riqueza musical, espiritual e histórica, enquanto Mateus Aleluia mantém vivo esse legado por meio de shows, gravações e projetos dedicados à valorização da memória cultural do país. Ao todo, desde 2010 o artista baiano já lançou cinco discos.

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