A Islândia adotou nos últimos anos um modelo bem-sucedido de jornada de trabalho reduzida, com ganhos de produtividade e bem-estar. É o que mostrou reportagem do portal G1, que ouviu brasileiros residentes no país insular da Europa em 2024.
Boa parte dos moradores da Islândia, país com cerca de 400 mil habitantes, trabalha em um regime de até 36 horas semanais. Assim, é possível que um cidadão tenha uma sexta-feira de trabalho mais curta, de apenas 4 horas, por exemplo - desde que faça 8 horas diárias de segunda a quinta. O modelo flexível também permite que se tire um dia útil inteiro de folga a cada duas semanas, por horas excedentes acumuladas nos dias anteriores.
Crédito: Imagem de StartupStockPhotos por PixabayEm 2015, a Islândia testou reduzir a jornada de trabalho sem mexer nos salários de funcionários públicos do governo federal e da Câmara Municipal de Reykjavik, capital do país. Estudo publicado seis anos depois demonstrou que houve uma melhora na prestação de serviços e produtividade. Além disso, o bem-estar dos empregados aumentou consideravelmente, com ganhos emocionais e na vida pessoal.
Crédito: visiticeland.comNo entanto, o estudo, publicado pelo instituto The Autonomy, do Reino Unido, pondera que nem todos os empregados islandeses conseguiram diminuir o tempo de trabalho. Entre os anos de 2021 e 2022, 36% trabalhavam mais de 41 horas. Apesar disso, o panorama foi definido como promissor pelos avaliadores.
Crédito: Dickelbers/Wikimedia CommonsA adoção de uma jornada de trabalho reduzida para 4 dias por semana tem ganhado popularidade em vários países, mas parece que nem todos se adaptaram ao novo esquema.
Crédito: tookapic pixabayNo Japão, o tema é discutido desde 2021, mas enfrenta dificuldades, não por parte do governo ou empresas, mas dos próprios trabalhadores, que resistem à ideia.
Crédito: sofi5t pixabayIsso porque, apesar de 85% das empresas no Japão garantirem dois dias de folga por semana e limitarem horas extras, muitos funcionários realizam horas extras não remuneradas.
Crédito: Roméo A. UnsplashNesse caso, é possível que a resistência aos 4 dias de trabalho no Japão esteja relacionada ao desejo de manter os chefes satisfeitos e, assim, evitar riscos de demissão.
Crédito: Imagem de Marcellinus Jerricho por PixabayNa Bélgica, o programa também não deu certo. Porém, o modelo adotado pelo país europeu foi um pouco diferente da proposta inicial.
Crédito: Imagem de Walkerssk por PixabayA Bélgica seguiu a regra de 4 dias de trabalho, mas com 10 horas por dia, totalizando as mesmas 40 horas por semana.
Crédito: Oakenchips wikimedia commonsOs números mostram que a mudança não foi bem aceita pelos funcionários belgas.: apenas 0,5% solicitaram a permanência neste modo de trabalho.
Crédito: Imagem FreepikVale lembrar que, em muitos países, é lei o funcionário trabalhar no máximo 8 horas por dia. O caso da Bélgica, com 10 horas diárias, tende a apresentar estresse e falta de produtividade após muitas horas trabalhando.
Crédito: Zairon wikimedia commonsNo Reino Unido, o projeto-piloto “The 4-Day Week Global” foi realizado em 2022 e testou a implementação da semana de trabalho de 4 dias em 61 empresas com cerca de 2.900 funcionários.
Crédito: Samuel Regan-Asante UnsplashNessa modalidade, os profissionais recebiam 100% do salário trabalhando 80% do tempo, comprometendo-se a manter 100% de produtividade, em um modelo conhecido como 100-80-100.
Crédito: Vojtech Okenka pexelsDe acordo com o relatório final, 92% das empresas participantes decidiram manter o modelo de trabalho mais curto.
Crédito: SevenStorm JUHASZIMRUS pexelsEmpresas de diferentes segmentos, como educação, bancos, tecnologia, recursos humanos e varejo, aderiram voluntariamente aos testes, e a média de receita das companhias cresceu até 35% na comparação com o mesmo período dos anos anteriores.
Crédito: Marc Mueller pexelsAlém disso, o modelo de quatro dias por semana contribuiu para reter talentos, reduzindo o número de profissionais que deixaram as empresas em 57%.
Crédito: fauxels pexelsEntre os funcionários, 90% afirmaram que desejam continuar trabalhando nesse formato, e 15% afirmaram que nenhuma quantidade de dinheiro seria suficiente para aceitar um próximo trabalho com cinco dias de trabalho.
Crédito: David Mark por PixabayO relatório também destacou os benefícios à saúde dos trabalhadores, incluindo a redução do estresse crônico e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Crédito: RAEng_Publications por PixabayNo Brasil, a ideia ainda engatinha, mas algumas startups já começaram a testar o modelo e em breve serão divulgados os resultados. Veja como o programa se saiu em outros países pelo mundo!
Crédito: Marten Bjork UnsplashEscócia: O país britânico ainda está em fase de testes da jornada de quatro dias de trabalho. As empresas que participam do projeto recebem um apoio do governo de cerca de 10 milhões de libras esterlinas.
Crédito: Anna Urlapova pexelsSuécia: O país escandinavo testou o modelo ainda em 2015 e as conclusões foram ambíguas. Alguns políticos acharam a implementação cara para os cofres do governo. Já algumas microempresas gostaram da ideia e até adotaram uma redução na carga horária.
Crédito: Michael Erhardsson pexelsEspanha: Na região do país Basco, cerca de seis mil funcionários de 200 pequenas e médias empresas poderão prolongar o fim de semana em um dia, com pagamento integral. O experimento deve durar um ano, mas ainda não tem data para começar.
Crédito: Jorge Fernández Salas UnsplashItália: O governo italiano anunciou recentemente que pretende testar o projeto no país. O ministro das Empresas e do “Made in Italy”, Adolfo Urso, declarou que “já está disposto a refletir sobre o assunto”, desde que a política gere um aumento na produtividade.
Crédito: MLbay por PixabayPortugal: O país tinha planos de testar o projeto no segundo semestre de 2023. Ao menos 90 empresas portuguesas já se inscreveram para participar do teste.
Crédito: Liam McKay UnsplashPor mais que a semana de quatro dias ainda enfrente barreiras, a ideia já é uma tendência que pode transformar o futuro do trabalho.
Crédito: mohamed_hassan por Pixabay