Sabia dessa? Existem aves na natureza que carregam toxinas perigosas; veja exemplos

Durante séculos, a mitologia chinesa descreveu uma criatura conhecida como "Zhenniao", uma ave de grande porte, plumagem vistosa e reputação temível. As histórias afirmavam que esse pássaro possuía propriedades tóxicas, supostamente adquiridas por meio da alimentação de serpentes venenosas, cuja peçonha ficaria acumulada em seu organismo. Por muito tempo, estudiosos consideraram o Zhenniao apenas mais um ser lendário, semelhante a outras figuras mitológicas presentes nas tradições chinesas, mas essa percepção começou a mudar no final do século 20.

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Em 1992, pesquisadores relataram na revista Science a descoberta da primeira espécie de ave conhecida por armazenar substâncias tóxicas na pele e nas penas, capazes até de provocar reações em seres humanos. A descoberta surpreendeu a comunidade científica e demonstrou que a ideia de pássaros venenosos não pertencia exclusivamente ao universo das lendas. Desde então, outras espécies com características semelhantes foram identificadas, embora continuem sendo raras na natureza.

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Diferentemente de cobras, escorpiões ou aranhas, essas aves não produzem toxinas por conta própria. Em vez disso, elas acumulam substâncias tóxicas presentes em determinados alimentos, como insetos ou outros organismos, sem sofrer os efeitos nocivos desses elementos. Como não possuem presas, ferrões ou mecanismos para injetar veneno, o contato é feito por meio de suas penas ou pele para afastar predadores e até ajudar na proteção contra parasitas. Veja exemplos!

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Pitohui – Essa ave nativa da Nova Guiné foi o primeiro pássaro venenoso identificado pela ciência. Suas penas, pele e tecidos contêm batracotoxina, uma poderosa neurotoxina também encontrada em algumas rãs venenosas da Amazônia. Pesquisadores acreditam que essa substância seja adquirida por meio da alimentação de besouros do gênero Choresine.

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Embora a concentração de veneno desse pássaro seja menor do que nas rãs, o simples contato pode provocar irritação, ardência e dormência na pele, enquanto a ingestão pode causar intoxicação. O gênero Pitohui reúne várias espécies tóxicas, sendo o Pitohui-de-capuz considerado o mais venenoso entre elas.

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Ifrita – A ifrita-de-coroa-azul, outra ave nativa da Nova Guiné, também possui batracotoxina acumulada nas penas. Apesar dessa característica em comum, ela não é aparentada aos pitohuis. O caso representa um exemplo de "evolução convergente", fenômeno no qual espécies diferentes desenvolvem adaptações semelhantes em resposta a condições ambientais parecidas.

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Assim como nos pitohuis, acredita-se que a toxina da ifrita tenha origem no consumo de besouros do gênero Choresine. Estudos sugerem que essa dieta desempenha um papel fundamental na aquisição do veneno pelas aves. As duas aves também compartilham uma resistência natural ao veneno, associada a uma mutação no gene SCN4A.

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Codorna-comum – Antes de mais nada, fique calmo: não se trata da codorna criada para a produção de ovos consumidos no dia a dia. No Brasil, essa atividade utiliza principalmente a codorna-japonesa (Coturnix japonica), espécie amplamente criada em granjas. A ave tóxica é a codorna-comum (Coturnix coturnix), encontrada em regiões da Europa e da Ásia Ocidental.

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Em determinadas circunstâncias, sua carne pode se tornar tóxica, possivelmente em consequência da ingestão de alguma planta ainda não identificada pelos pesquisadores. O consumo dessas aves contaminadas pode provocar sintomas como náuseas, vômitos e dores musculares.

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Esse quadro recebeu o nome de "coturnismo" e ocorre de forma bastante incomum, já que a toxicidade depende da alimentação do animal. Registros desse fenômeno existem há milhares de anos e aparecem em relatos que remontam à Grécia Antiga, além de possíveis referências em textos bíblicos.

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Pato-ferrão – Esse pato também pode apresentar toxicidade, mas essa característica não está presente em todos os indivíduos da espécie. Em algumas regiões, algumas dessas aves incluem na dieta besouros da família Meloidae, conhecidos por produzirem uma substância tóxica chamada cantaridina.

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Após a ingestão desses insetos, o composto pode se acumular nos tecidos do pato e representar um risco para quem consumir sua carne. A cantaridina é considerada uma toxina bastante poderosa e já foi associada a casos graves de intoxicação em seres humanos que ingeriram os próprios besouros. Apesar disso, até o momento não existem registros que relacionem o consumo da carne de patos-ferrão a mortes humanas.

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