Samba sobre Heitor dos Prazeres ganha Estandarte de Ouro: conheça o artista que virou enredo da Vila Isabel em 2026

O samba-enredo da Unidos de Vila Isabel ganhou o Estandarte de Ouro como o melhor de 2026. Intitulado “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, foi composto por André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho.

Crédito: Reprodução do Instagram @unidosdevilaisabel

O tema da escola do bairro de Noel Rosa em 2026 presta homenagem a Heitor dos Prazeres, artista que marcou a história do samba e da cultura popular brasileira.

Crédito: Reprodução do Youtube Canal Nasci do Semba

Segundo a escola, a proposta era oferecer um desfile “com as tintas do pertencimento”, exaltando a ancestralidade e a força criativa negra que moldaram o samba carioca.

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A escolha de Heitor dos Prazeres foi além de uma simples homenagem biográfica. A Vila Isabel mergulhou no universo poético e onírico do artista.

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A ele é atribuída a criação das expressões “Pequena África” e “África em miniatura” para designar a região da antiga Praça Onze – berço do samba urbano e de manifestações culturais emblemáticas, como os terreiros de Tia Ciata e a Pedra do Sal.

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Por isso, foi justamente na Pedra do Sal que a Vila Isabel realizou, em maio de 2025, o evento de lançamento do enredo, reforçando o elo simbólico entre o passado e o presente do samba.

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A expressão “Macumbembê, Samborembá” foi inspirada na canção “Tia Chimba”, uma embolada composta por Heitor dos Prazeres em parceria com Paulo da Portela.

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Heitor dos Prazeres nasceu em 23 de setembro de 1898, período em que o Brasil ainda vivia os primeiros anos após a abolição da escravatura. Multifacetado, foi compositor, músico e artista plástico, além de ter exercido ofícios como sapateiro, alfaiate, jornaleiro e marceneiro.

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Filho de uma família em que a música fazia parte do cotidiano, começou desde muito jovem a frequentar as lendárias rodas de Tia Ciata, ponto de encontro de nomes fundamentais do samba.

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Lá conviveu com mestres como João da Baiana, Pixinguinha, Donga, Cartola, Sinhô e Hilário Jovino Ferreira, o Lalau de Ouro, seu tio, que lhe presenteou com o primeiro cavaquinho.

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Entre as inúmeras composições que assinou, destaca-se “Pierrot Apaixonado”, parceria com Noel Rosa, que se transformou em uma das marchinhas mais conhecidas da história do Carnaval brasileiro.

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Apaixonado pela festa, Heitor teve papel importante na fundação de diversas escolas de samba, entre elas Mangueira e Portela, e ajudou a construir as bases do que viria a ser o desfile das agremiações na Marquês de Sapucaí.

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Na década de 1930, Heitor consolidou-se como músico e se apresentou no prestigiado Cassino da Urca, ao lado de artistas como o ator Grande Otelo e a cantora norte-americana naturalizada francesa Josephine Baker.

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Josephine Baker o apresentou ao cineasta Orson Welles, vencedor do Oscar por “Cidadão Kane”, que o contratou para colaborar em um projeto cinematográfico sobre o samba e o Carnaval.

Crédito: Heitor dos Prazeres, compositor, cantor e artista plástico brasileiro - Acervo Arquivo Nacional

Além de músico consagrado, Heitor dos Prazeres teve uma trajetória notável nas artes plásticas.

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Suas obras vibrantes, que retratavam o cotidiano das comunidades e a alegria popular, foram premiadas e exibidas em importantes museus e exposições nacionais e internacionais.

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Em 1943, durante uma mostra beneficente em Londres, a então princesa e futura rainha Elizabeth II encantou-se com sua obra “Festa de São João” e a adquiriu, gesto que projetou ainda mais o nome do artista.

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Com talento múltiplo e espírito criador, Heitor dos Prazeres eternizou, em sons e cores, a alma do samba e o pulsar da cultura afro-brasileira.

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