Saquê: a tradição milenar por trás da bebida japonesa que atravessou fronteiras

O saquê é uma das bebidas mais emblemáticas do Japão e carrega consigo uma história milenar que mistura tradição, identidade cultural e técnicas artesanais refinadas. Presente tanto em momentos solenes quanto em ocasiões cotidianas, ele ocupa um lugar singular na sociedade japonesa, sendo associado à celebração, hospitalidade e até à espiritualidade. Produzido a partir da fermentação do arroz, o saquê tem método de elaboração com características próprias que o diferenciam de outras bebidas alcoólicas conhecidas. Essa singularidade ajuda a explicar por que o saquê é tão valorizado não apenas como bebida, mas também como expressão cultural profundamente enraizada no Japão.

Crédito: Reprodução do Youtube Canal Japão TV

A origem do saquê remonta a mais de dois mil anos, ligada diretamente à expansão do cultivo de arroz no Japão. Os primeiros registros documentados da bebida aparecem por volta do século 8, quando Nara era a capital do país e já existia um órgão oficial responsável por sua produção, muitas vezes voltada a rituais religiosos do xintoísmo.

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Ao longo do tempo, o saquê deixou de ser apenas uma oferenda espiritual para se tornar uma bebida popular, presente em celebrações e no cotidiano japonês. Curiosamente, as formas mais antigas de produção eram bastante rudimentares e até surpreendentes. Em um estágio inicial, era feito com arroz mastigado, em que as enzimas da saliva ajudavam a quebrar o amido em açúcares fermentáveis.

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Com o avanço das técnicas, esse método foi substituído pelo uso do kōji, um fungo essencial que permite a conversão do amido do arroz em açúcar de forma controlada, tornando o processo mais eficiente e seguro.

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A produção moderna do saquê segue etapas bem definidas. Primeiro, o arroz é polido para remover impurezas. Em seguida, ele é cozido no vapor e recebe o kōji, iniciando a fermentação.

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Depois, forma-se uma mistura chamada moromi, que fermenta por cerca de um mês até se transformar na bebida final, que é filtrada e pasteurizada antes de ser engarrafada. Esse cuidado técnico ajuda a explicar a diversidade de estilos e sabores encontrados hoje, que vão do mais seco ao adocicado, com aromas que podem lembrar frutas, flores e até notas lácteas.

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Outra característica marcante do saquê é sua versatilidade no consumo. Diferentemente de muitas bebidas alcoólicas, ele pode ser apreciado em diferentes temperaturas (gelado, em temperatura ambiente ou aquecido), sendo que cada faixa térmica ressalta aspectos distintos de aroma e sabor. Em dias frios, por exemplo, é comum bebê-lo quente, enquanto versões mais aromáticas são preferidas frias.

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Do ponto de vista cultural, o saquê vai muito além do paladar. Ele ocupa papel central em cerimônias religiosas, casamentos e festividades tradicionais. Em rituais xintoístas, por exemplo, a bebida é oferecida aos deuses como símbolo de purificação e prosperidade.

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Entre as curiosidades, destaca-se também o fato de que a palavra “saquê”, no Japão, pode se referir a qualquer bebida alcoólica. Assim, o termo mais correto para essa bebida específica é nihonshu.

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Além disso, embora seja frequentemente servido em pequenos copos tradicionais, hoje também é degustado em taças semelhantes às de vinho, o que ajuda a valorizar seus aromas complexos.

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Atualmente, o saquê ultrapassou as fronteiras japonesas e ganhou espaço em diversos países, inclusive no Brasil, onde existe uma das mais antigas fábricas fora do Japão, fundada ainda na década de 1930.

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Essa expansão reflete o crescente interesse global por sua diversidade e sofisticação, consolidando o saquê não apenas como uma bebida tradicional, mas como um produto cultural que atravessa séculos e fronteiras.

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