Tecnologia de “raio X” passa a orientar manutenção de árvores em cidade do Rio de Janeiro; entenda

Com o intuito de identificar quais árvores representam risco nas vias públicas, a prefeitura de Niterói, no Rio de Janeiro, passou a recorrer à tomografia, tecnologia capaz de examinar o interior dos troncos sem qualquer intervenção física. O método utiliza sensores posicionados ao redor da árvore que emitem sinais que atravessam a madeira e retornam carregados de informações sobre a integridade estrutural do exemplar. Os dados são processados em tempo real e traduzidos em gráficos: onde aparecem áreas em vermelho, há indícios de cavidades, apodrecimento interno ou infestação de cupins.

Crédito: Divulgação/Cláudio Fernandes

A ferramenta é acionada de forma seletiva, nos casos em que a avaliação visual não é suficiente para determinar o grau de risco, e compõe o protocolo de segurança arbórea da Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser). O diagnóstico orienta diretamente as decisões de manejo. Exemplares com índice de risco abaixo de 35% são submetidos a intervenções como poda, desbaste ou redução de copa — medidas que diminuem o peso e reduzem a pressão sobre a estrutura.

Crédito: Divulgação/Cláudio Fernandes

Já as árvores com índices mais altos entram na categoria crítica e podem ser encaminhados para remoção. Esse sistema de avaliação se insere em um conjunto mais amplo de iniciativas de monitoramento da arborização urbana, que inclui o "Arboribus" — apontado como um dos censos arbóreos mais completos do Brasil — e o programa "Verdes Notáveis".

Crédito: Divulgação/Cláudio Fernandes

Segundo dados da Seconser, cada uma das 64.601 árvores catalogadas pela prefeitura tem um registro individual com nome popular, nome científico, origem, altura, dimensões da copa, circunferência do tronco e situação fitossanitária, classificada em quatro categorias — boa, regular, ruim ou morta.

Crédito: Divulgação/Prefeitura de Niterói

Todas as informações são atualizadas de forma contínua e integradas ao sistema SiGeo, que concentra o histórico de intervenções das equipes da Seconser. A participação dos moradores também faz parte da estratégia. Pelo aplicativo Colab, qualquer pessoa pode comunicar a presença de árvores com sinais de risco, pedir podas ou sugerir locais para novos plantios.

Crédito: Divulgação/Cláudio Fernandes

Para a secretária Dayse Monassa, a soma entre tecnologia e monitoramento sistemático é o que permite à gestão municipal de Niterói tomar decisões mais embasadas. "O objetivo é manter o equilíbrio entre o verde e o espaço urbano, garantindo conforto térmico, qualidade do ar e segurança para todos", reflete ela.

Crédito: Divulgação/Paulo Lima