Uma intervenção desastrosa nas esculturas sacras do Monumento do Calvário de Jesus transformou o pacato cotidiano de Carmo do Cajuru, município do centro-oeste mineiro situado a cerca de 120 quilômetros da capital, em debate nacional. O conjunto de estátuas da Praça do Cruzeiro passou por uma tentativa de revitalização para reparar os desgastes provocados pela ação do tempo, mas o acabamento final chocou a população local — e boa parte da internet. Maquiagens artificiais e grosseiras com direito a cílios destacados, sobrancelhas marcadas e lábios desfigurados em relação aos traços originais das peças religiosas.
O resultado chamou a atenção dos moradores, que rapidamente passaram a compartilhar críticas, piadas e manifestações de indignação. Muitos classificaram a intervenção como uma descaracterização das obras, enquanto outros questionaram como um serviço daquele tipo havia sido aprovado. Comentários sobre a aparência das esculturas se espalharam pelas redes sociais e chegaram até os canais oficiais da Prefeitura, onde internautas cobraram explicações e até punições aos responsáveis.
Crédito: Reprodução/Redes Sociais"Isso é depredação do patrimônio cultural. Tem que ser investigado e haver punição aos envolvidos", esbravejou um morador. “Minha Nossa Senhora… Quem foi a bênção que fez isso?”, questionou outro. “Que absurdo! Misericórdia. Isso é crime, gente. Não pode ficar assim. Quem fez uma atrocidade dessas precisa ser punido”, cobrou uma terceira pessoa nas redes sociais. Diante da repercussão, a administração municipal esclareceu que não autorizou nem contratou o trabalho realizado no monumento.
Crédito: Reprodução/Redes SociaisA responsabilidade pela manutenção das peças cabia ao Conselho Paroquial Nossa Senhora Aparecida, que havia decidido promover uma intervenção para corrigir desgastes provocados pela ação do tempo. No entanto, o próprio conselho admitiu insatisfação com o resultado alcançado. Segundo a entidade, a intenção era preservar as esculturas, mas a técnica aplicada nos rostos não correspondeu às expectativas.
Crédito: Reprodução/Redes SociaisPor esse motivo, as alterações foram removidas ainda no mesmo dia em que surgiram as críticas, devolvendo às imagens a coloração branca original. A Igreja Nossa Senhora do Carmo também reconheceu que o trabalho foi executado artístico de maneira inadequada e informou que os demais serviços de revitalização ocorrerão posteriormente.
Crédito: Divulgação/Diocese de DivinópolisEnquanto isso, o Conselho Paroquial busca um profissional especializado em restauração de arte sacra para conduzir uma nova intervenção de acordo com critérios técnicos apropriados. Segundo informações do g1, o objetivo é recuperar as peças sem comprometer suas características históricas e religiosas. O nome da pessoa ou da empresa responsável pelo serviço que gerou controvérsia não foi divulgado.
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