‘Terraço terapêutico’: hospital de Londres inova e coloca pacientes da UTI em jardim ao ar livre

Uma iniciativa inédita no Reino Unido busca aproximar pacientes em estado grave do ambiente externo sem comprometer os cuidados médicos necessários. No King's College Hospital, no sul de Londres, uma nova área instalada no terraço da unidade de terapia intensiva (UTI) permite que pessoas internadas por longos períodos tenham acesso ao ar livre, à luz natural e ao contato com a natureza, mesmo quando dependem de equipamentos de suporte à vida. Uma reportagem da BBC mostrou que a jovem Hollie Allan, de 29 anos, foi a primeira a utilizar a nova instalação enquanto aguarda uma cirurgia cardíaca.

Crédito: Reprodução/TV Globo

O espaço foi projetado para receber até seis pacientes simultaneamente e conta com infraestrutura que garante o funcionamento seguro de aparelhos essenciais, incluindo sistemas de oxigênio e fornecimento de energia elétrica. Ao deixar a UTI pela primeira vez desde sua internação, Hollie descreveu a experiência como profundamente emocionante. A simples sensação do vento, da luz do sol e da permanência em um ambiente aberto despertou lembranças que haviam desaparecido durante o longo período de isolamento hospitalar.

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Estudos científicos apontam que a proximidade com a natureza eleva o bem-estar dos enfermos e reduz o período de internação. Embora os jardins hospitalares sejam comuns, a novidade do King's reside na capacidade técnica de estender esse benefício a indivíduos em estado crítico e de longa permanência, que muitas vezes perdem o estímulo psicológico para lutar pela recuperação devido ao isolamento prolongado.

Crédito: Reprodução @kingscollegehospital

Para validar essa eficácia, o corpo médico pretende monitorar parâmetros como as frequências cardíaca e respiratória, além dos níveis de dor dos pacientes. O médico especialista Phil Hopkins ressalta que essa reconexão com o mundo exterior ajuda na readaptação de pessoas desestabilizadas pela rotina institucionalizada, de modo a devolvê-las mais rapidamente às suas vidas cotidianas.

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O terraço também foi concebido como um espaço terapêutico do ponto de vista paisagístico. Plantas aromáticas, como alecrim, sálvia e orégano, dividem espaço com vegetação nativa e espécies de textura marcante, capazes de estimular o tato e o olfato dos pacientes.

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Os pacientes podem observar a vegetação, sentir seus aromas e, em alguns casos, tocar as plantas diretamente de suas camas. Os criadores do jardim acreditam que esse contato favorece relaxamento, reduz o estresse e contribui para uma sensação maior de bem-estar.

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A construção da área exigiu investimentos superiores a US$ 2,7 milhões (cerca de R$ 13 milhões), financiados por uma instituição beneficente ligada ao hospital. Além dos pacientes, o espaço também poderá ser utilizado por profissionais da terapia intensiva durante os intervalos de trabalho.

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Corredores amplos permitem a circulação segura de macas, cadeiras de rodas e equipamentos médicos. O terraço personalizado foi concebido pelo arquiteto paisagista Nigel Dunnett em parceria com a premiada designer britânica Sarah Price, reconhecida internacionalmente por seus trabalhos em jardinagem e paisagismo.

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"É incrível estar aqui neste jardim na cobertura, acima da unidade de terapia intensiva [...] Criamos essas estruturas que realmente aconchegam os pacientes, permitindo que eles experimentem sombra, luz e até um pouco de chuva, se quiserem", afirmou Sarah.

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A direção do King's College Hospital espera que a iniciativa represente mais do que uma melhoria na experiência da internação. O Diretor Clínico de Cuidados Intensivos da instituição, Tom Best, aponta que o confinamento hospitalar rotineiro frequentemente desencadeia quadros de delírio e alucinações assustadoras, distúrbios que retardam a reabilitação.

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Além de proporcionar tranquilidade e conforto, a área foi projetada para exigir pouca manutenção. Caso os resultados sejam positivos, o modelo poderá servir de inspiração para outros hospitais do sistema público britânico, ampliando o uso de ambientes naturais como parte integrante do processo de recuperação e cuidado.

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"É o completo oposto de uma enfermaria de hospital, e ainda assim os pacientes podem passar longos períodos aqui em cima, onde recebem tratamento. Ao chegar aqui, você se sente imerso na natureza, no verde e em todas essas coisas que realmente trazem paz e força, e que são, em última análise, incrivelmente curativas", acrescentou Sarah.

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