Trio de irmãs brasileiras com mais de 100 anos que já entraram para o Guinness são estudadas por pesquisadores da USP

Três irmãs que vivem no Rio de Janeiro e ultrapassaram os 100 anos conquistaram um reconhecimento do Guinness World Records, mas despertaram também o interesse da ciência. Levita de Deus Nunes, Zoraide de Deus Mota e Zulina de Deus Nunes, com 109, 104 e 103 anos, respectivamente, somaram 316 anos em 2026.

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Elas foram reconhecidas como o trio de irmãs vivas com maior idade combinada no mundo. Nascidas em Cedro de São João, em Sergipe, as três cresceram entre oito irmãos antes de se estabelecerem no Rio de Janeiro e seguirem caminhos profissionais distintos.

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Levita trabalhou como artesã e passou 12 anos na Rede Globo; Zoraide foi professora e enfermeira e teve cinco filhos; Zulina dedicou boa parte da vida à família e criou seis filhos. A trajetória das irmãs ganhou ainda mais importância por causa do histórico de longevidade entre outros parentes: a mãe também chegou aos 100 anos, enquanto uma tia alcançou 101.

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Esse histórico despertou o interesse de pesquisadores que tentam compreender por que algumas pessoas envelhecem com mais saúde e preservam suas capacidades físicas e cognitivas por mais tempo. As três fazem parte do interesse do Projeto DNA Longevo, iniciativa do Genoma USP coordenada pela geneticista Mayana Zatz, que investiga os mecanismos biológicos associados ao envelhecimento saudável.

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O estudo compara pessoas muito idosas que mantêm boa saúde com indivíduos de faixas etárias semelhantes que apresentam fragilidade, doenças crônicas ou declínio cognitivo. Para isso, os pesquisadores analisam características genéticas, moleculares e celulares em busca de fatores que possam explicar a resistência ao envelhecimento.

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No caso das irmãs, a combinação entre parentesco, idade avançada e histórico familiar oferece uma oportunidade incomum para investigação. A genética, contudo, não é apontada como uma explicação isolada para a longevidade, já que fatores ambientais e hábitos de vida também participam desse processo.

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As próprias irmãs relatam uma infância marcada por atividade física, contato com alimentos frescos em uma época em que eles não tinham geladeira em casa, trabalho e muito convívio familiar. Zulina, por exemplo, recorda que nadava e participava de pescarias quando era criança.

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Essas experiências ajudam a compor a história das três, mas não representam uma fórmula comprovada para alcançar os 100 anos. A pesquisa da USP busca justamente separar características individuais de fatores que possam ter relação mais ampla com o envelhecimento saudável.

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