O Teatro Amazonas (foto), em Manaus (AM), e o Theatro da Paz, em Belém (PA), são os novos integrantes brasileiros da Lista do Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O reconhecimento foi oficializado em 27 de julho de 2026 e marca a inclusão dos chamados "Teatros da Amazônia" entre os bens culturais de relevância universal. Desde a década de 1960, os dois edifícios já eram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Com a nova inscrição, o Brasil soma 26 bens reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco. Desse total, 16 são classificados como patrimônios culturais, nove como patrimônios naturais e um como sítio misto. O pedido de reconhecimento internacional dos dois teatros foi elaborado pelo Iphan em conjunto com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), contando ainda com a participação das secretarias estaduais de Cultura do Amazonas e do Pará. A aprovação ocorreu durante reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, realizada em Busan, na Coreia do Sul.
Crédito: Madden/Wikimedia CommonsOs edifícios foram construídos no auge do chamado “Ciclo da Borracha”, período de forte crescimento econômico na Região Norte durante o século 19. O Theatro da Paz foi inaugurado em 1878, em Belém, capital do Pará, enquanto o Teatro Amazonas abriu as portas em 1896, em Manaus, capital do Amazonas. Ambos simbolizam a prosperidade vivida pela região naquela época.
Crédito: Flickr Arquivo NacionalAs duas construções foram concebidas dentro de um projeto de modernização urbana que buscava conectar a Amazônia aos principais circuitos comerciais e culturais internacionais por meio da navegação fluvial. Elas integraram na lista de importantes casas de ópera das Américas, recebendo companhias artísticas europeias que se apresentavam nas duas capitais.
Crédito: Socorro Simonetti/Wikimedia CommonsDo ponto de vista arquitetônico, os teatros reúnem elementos importados da Europa, com inspiração em importantes palcos de França e Itália, e materiais típicos da floresta amazônica, formando uma identidade singular que combina referências cosmopolitas e características regionais. Idealizados durante a Belle Époque (1871 - 1914) por uma elite influenciada pelos padrões do Velho Continente e erguidos por trabalhadores locais, os espaços ampliaram sua vocação ao longo do tempo.
Crédito: Socorro Simonetti/Wikimedia CommonsO Teatro Amazonas é um dos principais cartões-postais de Manaus e símbolo cultural do estado do Amazonas. Com estilo renascentista e influência eclética, ele se destaca pela cúpula revestida com cerca de 36 mil peças de cerâmica vitrificada importada da França nas cores da bandeira brasileira. Restaurado ao longo das últimas décadas, o espaço abriga o tradicional Festival Amazonas de Ópera, considerado um dos mais importantes do gênero na América Latina, atraindo artistas e público de diversos países.
Crédito: Ajmcbarreto/Wikimedia CommonsO Theatro da Paz é o mais antigo teatro em funcionamento da Região Norte e foi projetado em estilo neoclássico, inspirado no Teatro Scala de Milão, na Itália. Além de receber espetáculos nacionais e internacionais, o edifício preserva um rico acervo artístico, com pinturas, esculturas e mobiliário histórico, consolidando-se como um dos principais símbolos culturais de Belém.
Crédito: Celso Roberto de Abreu Silva/Wikimedia CommonsAtualmente, além das apresentações de ópera, os dois teatros recebem manifestações culturais de diferentes estilos, incluindo carimbó, boi-bumbá, jazz, cinema e outras expressões artísticas. Eles também desempenham papel importante na formação de profissionais da cultura e no fortalecimento do turismo. Localizados junto à Praça da República, em Belém, e ao Largo de São Sebastião, em Manaus, tornam-se agora o primeiro Patrimônio Mundial Cultural situado na Região Norte do Brasil.
Crédito: Rafael Zart/Ascom/Cidadania