Vaticano autoriza paróquia do interior paulista a guardar relíquia de 1º grau de João Paulo II

A Igreja Matriz de São Simão Apóstolo, que fica na cidade paulista de São Simão, na região de Ribeirão Preto, passou a integrar um seleto grupo de templos católicos autorizados pelo Vaticano a guardar e proteger uma relíquia de primeiro grau de São João Paulo II. O item sagrado contém uma pequena porção do sangue de Karol Wojtyla, nome de batismo do pontífice polonês que liderou a Igreja Católica por quase 27 anos e morreu em 2005, aos 84 anos. Canonizado em 2014, João Paulo II permanece como uma das figuras religiosas mais populares da história contemporânea do catolicismo.

Crédito: Reprodução @saosimaoapostolo.paroquia

Na tradição da Igreja Católica, as relíquias representam símbolos importantes da fé e da memória dos santos. As de primeiro grau consistem em fragmentos do corpo de pessoas canonizadas, como sangue ou ossos, e são consideradas as mais valiosas espiritualmente. Já as relíquias de segundo grau incluem objetos usados pelos santos, enquanto as de terceiro grau correspondem a itens que tiveram contato com essas relíquias.

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Para os fiéis, esses elementos representam símbolos concretos da trajetória de santidade e da ligação espiritual entre os santos e os devotos. Segundo o padre Wagner Gleyson Theodoro, responsável pela paróquia de São Simão, a chegada da relíquia reserva um significado espiritual e missionário profundo para a comunidade. "Não é um objeto mágico, mas um sinal concreto da encarnação da santidade", afirmou.

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"Deus agiu na vida de São João Paulo II de maneira extraordinária. [...] Teologicamente, a presença dessa relíquia em nossa comunidade é compreendida como um sinal da comunhão dos santos e um chamado à santidade", acrescentou o padre.

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O material veio diretamente de Cracóvia, na Polônia, cidade natal de João Paulo II. A programação de recepção começou com uma missa celebrada no dia 17 de maio na Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão Preto. No dia seguinte, a relíquia seguiu para São Simão, onde moradores acompanharam uma carreata pelas ruas da cidade antes da cerimônia oficial de apresentação presidida pelo arcebispo Dom Moacir Silva.

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Desde então, a igreja passou a manter o espaço aberto para visitação dos fiéis e celebrações diárias. A paróquia responsável pela guarda da relíquia possui longa tradição religiosa no interior paulista. Fundada ainda na década de 1840, a Igreja Matriz de São Simão Apóstolo surgiu antes mesmo da criação oficial do município.

Crédito: Divulgação/Paróquia São Simão Apóstolo

O pedido junto ao Vaticano para trazer a relíquia ao Brasil contou com apoio do missionário redentorista padre Carlos Alberto Batistini, natural de São Simão e atuante em Aparecida, além do arcebispo de Ribeirão Preto. Segundo o pároco, a escolha da cidade ocorreu em reconhecimento à forte tradição religiosa local e ao trabalho pastoral desenvolvido ao longo de quase dois séculos.

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"São Simão foi escolhida por causa do carinho do próprio padre Batistini, pela sua presença aqui em nosso meio e pelo trabalho de evangelização que o povo e a própria religiosidade, os padres que por aqui passaram nestes 200 anos de existência da cidade de São Simão", ressaltou o pároco.

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A expectativa da Igreja é transformar São Simão em um importante destino de peregrinação religiosa em São Simão, que hoje conta com 13,5 mil habitantes. A comunidade já discute projetos voltados à criação de um espaço permanente de oração e acolhimento para visitantes.

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Também existe a possibilidade de a relíquia participar futuramente de celebrações em outras paróquias da arquidiocese, ampliando o acesso dos fiéis ao símbolo religioso ligado à memória de João Paulo II. "Ela [a relíquia] pertence a todo aquele ou a toda paróquia ou a todo povo que deseja pedir a intercessão de São João Paulo II", pontuou o padre Theodoro.

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Eleito papa em 1978, João Paulo II entrou para a história como o primeiro pontífice não italiano em mais de quatro séculos. Nascido na cidade de Wadowice, na Polônia, Karol Wojtyla ele viveu a ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial e mais tarde enfrentou o regime comunista em seu país, experiências que influenciaram fortemente sua atuação religiosa e política.

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Entre seus feitos, João Paulo II realizou mais de 120 viagens apostólicas ao redor do mundo, aproximando a Igreja Católica de milhões de fiéis. Também teve papel importante no diálogo entre diferentes religiões e na defesa dos direitos humanos. Em 1981, sobreviveu a um atentado na Praça São Pedro, no Vaticano, episódio que marcou profundamente seu pontificado e ampliou ainda mais sua popularidade.

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