A trajetória de Gilberto Gil tem uma nova leitura artística com a chegada do musical “Gil – Andar com Fé”. O espetáculo, com direção de Miguel Falabella e dramaturgia assinada por Newton Moreno, estreou na capital paulista em 20 de agosto, no palco do Teatro Santander, no Complexo JK Iguatemi. A temporada tem previsão inicial de estender-se até 11 de outubro e apresenta ao público uma narrativa construída a partir de diferentes momentos da vida e obra do artista. Cabe ao ator Gui Ventura dar vida ao baiano na montagem. Para assumir o papel, ele superou uma seleção que reuniu mais de 800 candidatos.
Em vez de seguir uma narrativa estritamente cronológica, o espetáculo utiliza lembranças e acontecimentos de diferentes períodos para construir o percurso biográfico do músico. Um dos momentos escolhidos como eixo da narrativa é o período em que Gil viveu em Londres durante o exílio. A narrativa chega também às origens do artista em Ituaçu, município do interior da Bahia onde ele passou parte da infância. De lá, a história acompanha sua aproximação com a cena cultural de Salvador e, posteriormente, sua trajetória artística em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.
Crédito: Marcello Casal Jr/Agência BrasilNascido em Salvador, em 26 de junho de 1942, Gilberto Passos Gil Moreira passou parte da infância em Ituaçu, no interior da Bahia. Ainda menino, aproximou-se da música e começou a estudar acordeão, instrumento que marcou sua formação inicial. A influência de Luiz Gonzaga esteve entre as referências desse período, antes de o artista descobrir a bossa nova e ampliar seus horizontes musicais.
Crédito: Claudio Maranhão/FlickrNa década de 1960, Gil deixou o acordeão em segundo plano e adotou o violão, aproximando-se de uma linguagem musical que combinava diferentes tradições brasileiras. Em Salvador, tornou-se parte de um ambiente artístico que reunia nomes como Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé. A mudança para o eixo Rio-São Paulo ampliou sua projeção, especialmente com sua participação nos festivais de música popular.
Crédito: Instagram @galcostaGil foi um dos protagonistas do Tropicalismo, movimento que promoveu uma renovação estética na música brasileira no fim dos anos 1960. Ele ganhou forma em “Domingo no Parque”, apresentada no Festival da Record de 1967, em uma combinação de música brasileira, berimbau e guitarra elétrica. No ano seguinte, “Geleia Geral”, parceria com Torquato Neto, tornou-se uma das faixas de destaque de “Tropicália ou Panis et Circencis”, disco-manifesto do movimento. Gil também assinou com Caetano Veloso canções como “Bat Macumba” e a música tema, ampliando a mistura de ritmos e referências. A experiência, porém, foi interrompida pela repressão da ditadura: presos em dezembro de 1968, Gil e Caetano deixaram o Brasil em 1969 e seguiram para Londres, onde o contato com o rock e a cultura inglesa influenciou suas obras posteriores.
Crédito: DivulgaçãoDe volta ao Brasil, Gilberto Gil iniciou uma fase de intensa produção e ampliou ainda mais a diversidade de sua obra. Álbuns como “Expresso 2222” (1972) e “Refazenda” (1975) mostraram sua capacidade de aproximar referências nordestinas, samba, rock e novas sonoridades. Em “Realce” (1979), incorporou com destaque elementos do reggae, enquanto “Palco”, lançada no mesmo período, tornou-se uma de suas canções mais conhecidas. Paralelamente à carreira musical, Gil ingressou na política e foi eleito vereador de Salvador em 1988, cargo que exerceu até 1992.
Crédito: DivulgaçãoEm 2003, assumiu o Ministério da Cultura no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permanecendo no cargo até 2008. Durante sua gestão, procurou ampliar a discussão sobre políticas culturais e sobre o próprio conceito de cultura brasileira. Estudos sobre o período destacam a relação entre sua experiência artística, sua visão de diversidade cultural e as iniciativas desenvolvidas à frente do ministério. A trajetória do artista ganhou ainda uma dimensão institucional na literatura brasileira quando ele foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 2021, tornando-se o primeiro representante da música popular brasileira a integrar a instituição.
Crédito: Antonio Cruz/Agência BrasilNa vida pessoal, Gilberto Gil teve três casamentos e oito filhos. Sua primeira união foi com Belina Aguiar, com quem teve Nara e Marília; posteriormente, casou-se com Sandra Gadelha, mãe de Pedro (1970 - 1990), Preta (1974 - 2025) e Maria. Desde 1988, o músico é casado com Flora Gil (foto), união que teve como frutos Bem, Bela e José.
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