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Muricy defende técnicos brasileiros e fala sobre campanha do Fluminense no Mundial

Coordenador técnico do São Paulo respondeu perguntas no Super Futebol Tupi

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Foto: Rubens Chiri/São Paulo

O ex-treinador e atual coordenador técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, concedeu entrevista exclusiva ao Super Futebol Tupi neste domingo (6) e falou sobre o desempenho dos brasileiros na Copa do Mundo de Clubes, o duelo entre Chelsea e Fluminense, a distância do futebol nacional para o europeu e a dominância dos treinadores estrangeiros no Brasil.

Confira as respostas de Muricy Ramalho

O futebol brasileiro está dominado por treinador estrangeiros. Como você enxerga essa situação?

— Bom, é assim, a gente tem que saber analisar bem isso, porque chegam muitos técnicos. Muitos técnicos mostram capacidade e outros não. Se a gente for fazer aí a diferença dos que bateram e voltaram é muito grande a diferença dos que ficaram aqui. Então é assim, tem técnicos bons aqui e tão mostrando agora. Os brasileiros estão mostrando realmente que têm boa qualidade técnica. E tem treinadores que vêm aqui e deixam coisas e tem outros que não. Porque não são todos assim. Então a gente tem que tomar cuidado quando a gente faz essa análise porque aí parece que todos eles são bons e os nossos não. E não é bem assim porque se a gente analisar a quantidade de técnico que veio aqui e foi embora sem deixar nada, foi muito grande.

Foi uma surpresa o bom desempenho dos brasileiros contra os europeus?

— Na verdade, não dá pra gente dizer que antes da competição a gente ia falar que os brasileiros iam fazer frente aos europeus porque, na minha maneira de ver, a grande diferença é o investimento altíssimo das equipes europeias, pra você ter uma ideia, só o Liverpool comprou um jogador por quase um bilhão de reais. Então é complicado enfrentar, mas as equipes brasileiras se prepararam bem, fizeram pra mim, na minha maneira de pensar, um bom mundial, e volto a repetir, enfrentou grandes demais, e aí temos ainda mais um aqui entre os quatro, merecido, é um grande trabalho do Renato, um grande trabalho do Fluminense. É bom esse tipo de confronto que mostra o tamanho do nosso futebol. Eu acho que a gente melhorou muito todos os sentidos, principalmente tático. Os técnicos brasileiros fazendo realmente trabalhos diferenciados, o Renato é um deles. Então foi bom para medir. Claro que a gente ainda está distante no que diz respeito ao investimento, isso não tem a dúvida.

A distância entre brasileiros e europeus é muito grande?

— Eu acho que a gente tá realmente atrás, volto a repetir, isso tá bem claro pelo lado econômico, pelo investimento, o investimento realmente é diferenciado, as estruturas também muito diferentes das nossas, mas eu acho que a gente não tá. Todos nós, acho que o sentimento de todos nós é que nós pensávamos que estávamos muito atrás deles. Claro que o calor faz diferença, eles estão no final de temporada, tudo isso, e também diziam que não levavam a sério, não, eles levam muito a sério sim, a gente percebeu nas comemorações, no final do jogo, todos os jogadores comemorando, a comissão técnica, porque eles levam a sério sim. Então eu acho que foi bom, que mostrou que realmente a gente não está tão atrás dos europeus.

Os europeus aprenderam mais o nosso estilo ou nós que temos que nos adaptar ao estilo mais pegado do futebol europeu?

— Bom, lá pra trás, isso eu já vou falar do tempo do Telê, era o contrário. Eles vinham aqui ver os treinamentos dos times brasileiros, dos treinadores brasileiros, e eu acho que a troca não foi boa pra nós, porque a gente foi lá também, começamos todos a ir, eu também fui pra Europa, a gente foi pra buscar o lado físico deles e eles vieram e levaram nossa técnica embora, então eu acho que quem saiu perdendo foi o Brasil nessa troca. Agora, o futebol brasileiro tá aprendendo que hoje, e a gente percebe que os grandes times estão investindo muito no profissional, ou seja, na parte física. Hoje é fundamental, o futebol hoje realmente é um futebol, claro que a técnica ainda existe, existe o cara diferente, o cara que dá o drible, tudo mais, muito importante a parte coletiva e a parte física, de alta intensidade. Então, os times brasileiros estão acho que melhor nesse sentido e nós aprendemos bastante com eles.

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