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Por que folhas acumulam água sem absorver imediatamente
As gotas ficam ali por segundos, às vezes minutos
Na natureza, não é raro observar gotas de água paradas sobre a superfície de plantas, mesmo após uma chuva intensa. Em vez de serem prontamente absorvidas, essas gotas permanecem visíveis e rolam com facilidade quando a folha é inclinada. Esse comportamento está ligado à forma como muitas espécies vegetais evoluíram para lidar com a umidade, os microrganismos e a própria luz solar, tornando-se modelo para estudos científicos e aplicações tecnológicas, especialmente no campo de biomimética.
Por que algumas folhas acumulam água sem absorver imediatamente?
A principal razão para folhas acumularem água está relacionada ao chamado efeito hidrofóbico, ou seja, a tendência que algumas superfícies têm de repelir a água. Em muitas espécies, a epiderme da folha é recoberta por uma camada de cera, conhecida como cutícula, que dificulta a penetração da umidade e protege a planta contra encharcamento.
Quando a superfície é hidrofóbica, a água não se espalha formando um filme contínuo, mas se organiza em gotas quase esféricas. Isso preserva a integridade da folha, evita o encharcamento dos tecidos e reduz a proliferação de fungos e bactérias, além de manter as trocas gasosas e a fotossíntese mais eficientes, favorecendo a homeostase da planta.

Como o efeito hidrofóbico em folhas funciona na prática?
O efeito hidrofóbico em folhas não depende apenas da presença de ceras, pois a organização microscópica da superfície também é decisiva. Muitas folhas exibem saliências, rugosidades e cristais de cera que criam uma topografia irregular, aumentando a capacidade de repelir a água e de formar um ângulo de contato elevado, próximo ao que se observa em superfícies autolimpantes.
Em uma superfície lisa e pouco hidrofóbica, a água tende a se espalhar, formando um filme fino. Já em uma folha altamente hidrofóbica e rugosa, as gotas ficam apoiadas sobre um colchão de ar entre as microestruturas, reduzindo a área de contato com o tecido vegetal e, em alguns casos, gerando um comportamento super-hidrofóbico, típico de materiais com extrema repulsão à água.
Quais são os principais elementos da superfície hidrofóbica das folhas?
Alguns componentes estruturais e químicos se combinam para criar superfícies altamente repelentes à água em diferentes espécies vegetais. Esses elementos agem em conjunto para reduzir a aderência da água e facilitar o escoamento rápido das gotas, o que contribui para a proteção da planta e sua eficiência fisiológica, funcionando como uma espécie de barreira multifuncional.
Entre os fatores mais importantes que explicam a hidrofobicidade das folhas, destacam-se:
- Camada cerosa: impede a penetração rápida da água na folha e reduz a perda de água interna por evaporação.
- Micro e nanoestruturas: criam irregularidades que prendem ar, reduzem o contato com o líquido e aumentam o ângulo de contato.
- Ângulo de contato elevado: faz a gota permanecer arredondada e móvel, favorecendo o rolamento e a autolimpeza.
Algumas folhas acumulam gotas de água sem absorver imediatamente, criando um efeito curioso. Neste vídeo do canal Nikolas, que reúne mais de 2.7 milhões de inscritos e soma cerca de 197 mil visualizações, você entende por que isso acontece:
@einikolas Planta de lótus crescendo 423 dias em 60 segundos. #timelapse #flordelotus #flor #plantas #nikplantas ♬ Lord Of The Rings: The Shire (Concerning Hobbits) – Geek Music
O que é o efeito lótus nas folhas de Nelumbo nucifera?
Entre os exemplos mais citados está a folha de lótus Nelumbo nucifera, comum em ambientes aquáticos e muito estudada pela ciência. Suas folhas ficam apoiadas sobre a lâmina d’água, expostas à chuva, ao orvalho e a partículas suspensas no ar, sem reter filmes de água persistentes na superfície, representando um caso clássico de superfície super-hidrofóbica.
Nessas folhas, a combinação de cristais de cera e estruturas microscópicas cria um efeito super-hidrofóbico marcante, conhecido como efeito lótus. Gotas de água formam esferas quase perfeitas e deslizam com facilidade, removendo poeira e microrganismos, inspirando materiais autolimpantes para vidros, tecidos, tintas e revestimentos industriais, em um claro exemplo de inovação bioinspirada.
- A água entra em contato com a folha de lótus.
- Devido à rugosidade e à cera, a gota não se espalha.
- Formam-se esferas que retêm partículas de sujeira.
- Com um leve movimento ou vento, as gotas escorrem, levando a sujeira consigo.
Quais benefícios esse comportamento traz para as plantas e para a tecnologia?
O acúmulo aparente de água na superfície das folhas, seguido pelo rápido escoamento, traz benefícios ecológicos importantes. Ele protege contra infecções por microrganismos, previne danos por excesso de umidade, mantém a superfície mais limpa para melhor captação de luz e reduz o acúmulo de resíduos atmosféricos, favorecendo a eficiência fotossintética.
Do ponto de vista científico e tecnológico, o estudo do efeito hidrofóbico em folhas, especialmente nas de lótus, impulsionou o desenvolvimento de superfícies bioinspiradas. Ao reproduzir em materiais sintéticos esse comportamento natural, surgem produtos que repelem água e sujeira com pouca manutenção, úteis em aplicações domésticas, industriais e até em dispositivos médicos e eletrônicos expostos à umidade, reforçando o caráter sustentável dessas soluções tecnológicas.