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O que significa ter dificuldade de jogar coisas fora

Nem sempre é bagunça, às vezes é emoção

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O que significa ter dificuldade de jogar coisas fora
Dificuldade em descartar objetos pode estar ligada ao apego emocional

Tem gente que até tenta, mas na hora de descartar bate um aperto: “vai que eu preciso”, “isso tem história”, “é desperdício”. À primeira vista parece só um traço de personalidade, porém muitas vezes esse comportamento está ligado a emoções bem específicas, cansaço mental e até ao jeito como seu cérebro lida com escolhas.

Por que desapegar parece tão difícil em alguns dias?

Quando a rotina está pesada, o cérebro tende a evitar decisões que envolvem perda. E jogar algo fora é exatamente isso: uma escolha definitiva. Se você já está sobrecarregado, o simples ato de decidir pode virar um esforço enorme, alimentando a indecisão e o adiamento.

Também existe o fator emocional: a bagunça visível pode ser mais fácil de encarar do que o desconforto interno. Em fases de ansiedade, segurar objetos dá uma sensação de controle, mesmo que pequena. É como se manter algo por perto diminuísse a insegurança do “e se”.

O que significa ter dificuldade de jogar coisas fora
Algumas pessoas tem dificuldade de jogar coisas velhas fora, tornando o local num acúmulo – Créditos: depositphotos.com / Annebel146

O apego emocional e a culpa têm mais força do que parecem

Muita gente não guarda “coisas”, guarda significados. Um papel simples pode carregar lembranças, vínculos e identidades. Esse apego emocional faz com que descartar pareça apagar uma parte da história, como se a memória dependesse do objeto para continuar existindo.

Outra trava comum é a culpa: medo de desperdiçar dinheiro, de parecer ingrato, de jogar fora um presente, de “não valorizar”. Some isso à memória afetiva e pronto, até itens sem uso viram “difíceis demais” de sair. O problema é que o alívio de guardar costuma ser curto, e o peso de acumular vai crescendo.

Quando isso vira transtorno e merece atenção extra?

Existe uma diferença entre ter apego e viver com sofrimento por causa disso. O transtorno de acumulação é marcado por dificuldade persistente de descartar, forte angústia ao tentar se desfazer e acúmulo que atrapalha a casa e a rotina. Não é “preguiça” nem falta de capricho: é um padrão que prende a pessoa num ciclo de evitar, guardar e se sentir pior depois.

🧩 Decisão vira dor
Você olha para um item simples e sente tensão, como se qualquer escolha fosse “errada”.
🏠 Casa perde função
O acúmulo começa a limitar uso de armários, mesas, sofá e até a circulação.
🎯 Perfeição paralisa
O perfeccionismo faz você pensar que só vale organizar quando der para fazer “do jeito certo”.

Como começar a desapegar sem entrar em pânico

Se você quer destravar, o caminho mais gentil é reduzir a decisão. Em vez de “vou limpar a casa inteira”, escolha um microalvo e crie regras simples. Isso evita o efeito dominó de ansiedade e ajuda a fortalecer a sensação de progresso na organização da casa.

Uma sequência prática que costuma funcionar é esta:

  • Comece por itens sem vínculo emocional, como embalagens, papéis repetidos e objetos quebrados
  • Use uma pergunta única para decidir: “eu usaria isso nos próximos 30 dias?”
  • Faça uma caixa de “talvez” com data para reavaliar, em vez de decidir tudo na hora
  • Defina um tempo curto, como 10 a 20 minutos, e pare quando ele acabar
  • Feche o ciclo: coloque fora ou doe imediatamente para não voltar atrás

A psiquiatra Rita Jorge explica, em seu TikTok, como funciona a mente de um acumulador:

@ritajorge59 Acumuladores Transtorno muito difícil!!! Rita Jorge, Médica, Psiquiatra, CRM 88.994, RQE 26.859, #psiquiatrasp #qualidadedevida #depressão #tab #depressao #ansiedade #tag #tdah #tdahadulto #saudeespirital #cuidardequemcuida #atividadefísica #psiquiatraestoica #autismo #tea #acumuladores ♬ som original – Rita Jorge – Bote Salva Vidas

Quando procurar ajuda e o que melhora de verdade

Se o acúmulo está afetando relações, rotina, higiene, segurança ou causando sofrimento constante, vale buscar apoio profissional. A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem comum nesse tema porque trabalha pensamentos de perda, medo de errar, apego e o treino de decisão de forma estruturada, sem julgamentos.

O ponto não é virar uma pessoa “minimalista”, e sim recuperar espaço mental e físico. Quando você aprende a separar lembrança de objeto, e necessidade real de medo, o desapego deixa de ser uma briga diária e vira um hábito possível, do seu jeito e no seu ritmo.