Entretenimento
Por que borboletas evitam voar em dias muito quentes mesmo com céu aberto
Um comportamento comum observado em dias de sol forte
Em muitos dias de verão, é comum notar que borboletas ficam menos ativas ou praticamente somem do campo de visão nas horas mais quentes. Esse comportamento está ligado à forma como esses insetos regulam a temperatura do corpo, lidam com o risco de desidratação e se protegem de predadores. Ao ajustar seus hábitos de voo e repouso ao calor, as borboletas aumentam as chances de sobrevivência em ambientes quentes.
Por que as borboletas são tão sensíveis ao calor?
A principal razão está na forma como as borboletas controlam a própria temperatura. Como organismos de sangue frio, elas dependem diretamente do ambiente para aquecer e resfriar o corpo, sem um sistema interno de regulação térmica como o de mamíferos e aves.
Durante o voo, os músculos das asas geram calor adicional, elevando ainda mais a temperatura corporal. Em um ambiente muito quente, esse acúmulo pode ultrapassar o limite seguro para tecidos e órgãos delicados, comprometendo a coordenação motora, o sistema nervoso e, em casos extremos, levando à morte do inseto.

Qual é o papel das asas na regulação de temperatura?
As asas das borboletas, embora pareçam frágeis, têm papel importante no equilíbrio térmico. A camada de escamas coloridas pode absorver ou refletir luz solar, dependendo da espécie, ajudando tanto a aquecer quanto a evitar excesso de calor em diferentes condições ambientais.
Em condições moderadas, a absorção de luz pelas asas auxilia na manutenção do calor necessário para o voo. Porém, em dias muito quentes, essa mesma característica pode intensificar o aquecimento, levando a estratégias como fechar as asas, mudar o ângulo em relação ao sol ou buscar refúgio na vegetação para reduzir a incidência direta de radiação.
Por que as borboletas evitam voar em dias muito quentes?
Evitar o voo em temperaturas extremas está ligado à proteção contra o calor excessivo, à economia de energia e à preservação da água corporal. Quando o ar está muito quente, o risco de superaquecimento aumenta e o voo contínuo pode prejudicar músculos e sistema nervoso, tornando o movimento lento e impreciso.
Outro fator importante é a perda de água, que ocorre com rapidez em ambientes secos e quentes. Para lidar com esses desafios, muitas borboletas ajustam o comportamento ao longo do dia, concentrando a atividade nos horários mais amenos. Entre os principais efeitos do calor intenso sobre esses insetos, destacam-se:
- Temperaturas extremas comprometem o voo e a coordenação motora.
- O calor intenso favorece a desidratação e o estresse fisiológico.
- A inatividade parcial em horas quentes ajuda na preservação da energia.
- A busca por sombra diminui o impacto direto da radiação solar.
Em dias muito quentes, algumas borboletas reduzem o voo ou evitam se movimentar.
Neste vídeo do canal PeritoAnimal, com mais de 1.6 milhão de inscritos e cerca de 29 mil visualizações, o comportamento da borboleta-branca é explicado:
Como a borboleta-branca Pieris brassicae lida com o calor?
A borboleta-branca (Pieris brassicae), comum em áreas agrícolas e jardins, é um bom exemplo desse tipo de adaptação ao calor. Observações de campo indicam que ela é mais ativa em horários de temperatura amena, realizando a maior parte do voo e da alimentação no início da manhã.
Quando o sol se torna mais forte, a atividade diminui visivelmente e a borboleta-branca tende a adotar posições de descanso em folhas e caules, muitas vezes na face inferior das plantas, onde há mais umidade e sombra. Assim, ela reduz o uso dos músculos torácicos, grandes produtores de calor interno, e protege as asas claras, que refletem parte da luz, mas ainda podem aquecer em excesso.
- Pela manhã, aquece o corpo com luz moderada para iniciar o voo.
- Durante o pico de calor, reduz deslocamentos e procura abrigo.
- No fim da tarde, retoma parte das atividades, como busca de néctar e parceiros.
Quais estratégias ajudam as borboletas a não superaquecer?
Além de limitar o voo em horários críticos, as borboletas utilizam diferentes estratégias comportamentais para lidar com o calor. A escolha do habitat é uma delas: áreas com vegetação alta, arbustos e flores criam microclimas mais frescos, onde a temperatura pode ser alguns graus menor do que em espaços totalmente expostos ao sol.
Outra estratégia é o chamado basking controlado, em que o inseto ajusta o corpo para receber apenas a quantidade necessária de sol. Em vez de abrir totalmente as asas sob radiação forte, muitas espécies as fecham ou inclinam o corpo para reduzir a incidência direta, alternando entre sol e sombra para manter uma faixa de temperatura que permita o funcionamento adequado dos músculos sem riscos de superaquecimento.