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Esse comportamento faz aves se reunirem em bandos grandes ao entardecer
Um comportamento comum observado no fim da tarde
Em muitas cidades e áreas rurais, é comum observar bandos de aves formando grandes grupos no fim da tarde, especialmente em fios de energia, árvores altas e beiras de telhados. Esse comportamento chama a atenção por envolver centenas ou até milhares de indivíduos vocalizando, voando em círculos e, por fim, se acomodando em um mesmo local para passar a noite, como ocorre com a andorinha Progne chalybea, também conhecida como andorinha-doméstica-grande. Esse tipo de ajuntamento é um exemplo clássico de comportamento gregário, fundamental para a sobrevivência de muitas espécies.
Por que as aves se reúnem em grandes grupos antes de dormir?
O hábito de aves se reunirem em grupos grandes antes de dormir não é um fenômeno aleatório. Ele está ligado à sobrevivência, à reprodução e à adaptação ao ambiente, sendo observado em diferentes espécies, tanto em áreas naturais quanto em ambientes urbanos.
A principal explicação para esse comportamento coletivo é a segurança. Ao formar bandos numerosos, as aves reduzem as chances de serem capturadas por predadores noturnos, como corujas e alguns mamíferos, além de confundirem possíveis atacantes ao se movimentarem em massa. Esse efeito é conhecido como “diluição de risco” e está entre os mais importantes benefícios do comportamento social em aves.

Como os dormitórios coletivos ajudam na proteção e na economia de energia?
Outro ponto relevante é a economia de energia. Em locais mais frios ou expostos ao vento, dormir próximo de outras aves ajuda a manter a temperatura corporal, especialmente em espécies pequenas, que perdem calor com facilidade ao longo da noite.
Ao se aboletarem lado a lado em galhos, beirais ou cavidades, essas aves criam uma espécie de “isolamento coletivo”. Do ponto de vista ecológico, esses dormitórios também funcionam como pontos de encontro diários, onde indivíduos de diferentes áreas se misturam, favorecendo a circulação de genes em populações amplas. Além disso, esses locais podem atuar como centros de informação, onde algumas aves “aprendem” com outras sobre áreas de alimentação mais ricas na paisagem.
Como funciona um dormitório coletivo de aves?
O local onde muitas aves passam a noite em grupo é conhecido como dormitório coletivo. Esses pontos costumam ser escolhidos por oferecerem segurança, boa visibilidade e abrigo contra vento e chuva, podendo incluir árvores altas, canaviais, ilhas em rios, manguezais e até estruturas artificiais.
O movimento começa antes do anoitecer, quando pequenos grupos chegam, pousam, levantam voo novamente e se reorganizam em um fluxo constante. De forma geral, o processo costuma seguir uma certa sequência, que ajuda a estabilizar o bando à medida que a luz diminui:
- As primeiras aves chegam em grupos menores, explorando o local.
- Outros bandos se juntam, formando concentrações crescentes.
- O grupo se agita, com voos curtos, trocas de lugar e vocalizações intensas.
- Com a luz diminuindo, o movimento vai se estabilizando.
- Já no crepúsculo, a maior parte das aves fica em silêncio relativo até o amanhecer.
Esses dormitórios podem ser utilizados durante longos períodos, às vezes por anos seguidos, desde que as condições do ambiente se mantenham favoráveis. Quando há alterações bruscas, como poda intensa de árvores, obras ou perturbação constante, as aves tendem a buscar novos pontos para repousar. Em alguns casos, esses locais podem abrigar aves de diferentes espécies, configurando dormitórios mistos, onde interações entre espécies também passam a ter importância ecológica.
Por que a andorinha Progne chalybea se destaca nesses agrupamentos?
A andorinha Progne chalybea é amplamente distribuída no Brasil e em outros países das Américas. Ela é conhecida pelo hábito de usar construções humanas, como casas, postes e pontes, tanto para nidificar quanto para descansar, o que a torna muito visível em cidades e vilas.
Em muitos centros urbanos, essa andorinha forma bandos expressivos ao final da tarde, sobrevoando praças, avenidas e áreas abertas. Entre as razões que fazem a Progne chalybea se reunir em grandes grupos estão a proteção contra predadores, a facilidade de comunicação por vocalizações em grupo e o uso de estruturas urbanas altas e relativamente seguras. Além disso, sua grande adaptabilidade a ambientes modificados pelo ser humano a torna uma espécie sinantrópica, ou seja, que convive bem com áreas urbanas.
Antes de dormir, algumas aves costumam se reunir em grupos grandes.
Neste vídeo do canal Planeta Aves, com mais de 1.2 milhão de inscritos e cerca de 163 mil visualizações, o comportamento da andorinha é explicado:
Como a alimentação e a migração influenciam esses bandos de andorinhas?
A espécie é insetívora e costuma se alimentar em voo, capturando insetos no ar. A reunião em bandos pode estar associada à localização de áreas ricas em insetos, já que indivíduos que se alimentaram com sucesso acabam indicando, de forma indireta, regiões mais favoráveis para o restante do grupo.
Em algumas regiões, os dormitórios servem como pontos de parada durante movimentos sazonais, funcionando como “estações de descanso” em rotas de migração ou deslocamentos regionais. Assim, esses agrupamentos noturnos ajudam as aves a poupar energia e a manter a coesão social ao longo das viagens. Em períodos de grande abundância de alimento, os bandos podem crescer de forma expressiva, enquanto em épocas de escassez tendem a se tornar mais dispersos na paisagem.
Esse comportamento das aves muda ao longo do ano?
O padrão de aves se reunindo em grupos grandes antes de dormir pode variar conforme a estação do ano. Em períodos reprodutivos, muitas espécies priorizam o ninho e se dispersam mais, o que reduz temporariamente o tamanho dos dormitórios coletivos em determinadas áreas.
No caso da andorinha Progne chalybea, mudanças na oferta de alimento, nas condições climáticas e na disponibilidade de estruturas para pouso influenciam diretamente a formação de bandos urbanos. Em algumas cidades, gestores públicos e pesquisadores monitoram esses dormitórios para entender a dinâmica das populações e planejar medidas de manejo quando há acúmulo de fezes ou conflitos com o uso de espaços públicos. Esse tipo de monitoramento é importante para equilibrar a conservação da biodiversidade com o bem-estar humano em áreas densamente povoadas.