Automobilismo
Carros semiautônomos elevam custos de manutenção e impactam o seguro
Reparos comuns passam a demandar recalibração eletrônica
Os sistemas de condução semiautônoma deixaram de ser exclusividade de modelos de luxo e passaram a equipar cada vez mais veículos novos. Esses recursos, conhecidos como ADAS (Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor), prometem aumentar a segurança e reduzir o cansaço ao dirigir, mas também trazem uma nova realidade de custos de manutenção e influência direta no valor do seguro auto, tema que tem ganhado espaço entre motoristas, seguradoras e oficinas.
O que são os sistemas ADAS e como funcionam na condução semiautônoma
Os sistemas ADAS formam um conjunto de tecnologias de assistência ao condutor que ajudam em diferentes situações de trânsito. O carro continua dependendo da atenção humana, mas passa a contar com “olhos extras” que identificam pedestres, outros veículos, faixas de rolamento e obstáculos para evitar acidentes.
Essa atuação é possível graças a uma rede de sensores automotivos posicionados em pontos estratégicos, como para-choques, para-brisa e retrovisores. Câmeras de alta resolução, radares e, em alguns modelos, sensores a laser (LiDAR) alimentam centrais eletrônicas que processam dados em tempo real e podem desativar funções automáticas em caso de falhas.

Como a condução semiautônoma impacta a manutenção do carro
Uma das principais mudanças trazidas pela condução semiautônoma está no tipo de manutenção automotiva. Procedimentos antes simples, como troca de para-brisa, reparos em para-choque ou alinhamento de direção, agora podem exigir recalibração de câmeras e sensores mesmo após pequenos impactos.
A recalibração é feita em ambiente controlado, com equipamentos específicos, painéis de mira e softwares dedicados, exigindo mão de obra treinada. Sensores expostos sofrem com temperatura, vibrações e sujeira, aumentando a necessidade de inspeções periódicas e de um plano de manutenção preventiva mais rigoroso.
- Procedimentos comuns que podem exigir recalibração:
- Substituição do para-brisa com câmera de assistência à condução.
- Reparo, pintura ou troca de para-choques com radares embutidos.
- Acertos na suspensão e direção após buracos ou colisões leves.
- Atualizações de software que alterem o funcionamento dos sistemas ADAS.
Com isso, o planejamento de manutenção passa a incluir não apenas peças tradicionais, mas também serviços eletrônicos especializados. Proprietários que ignoram essas recomendações podem rodar com sistemas desativados ou imprecisos, o que contraria a proposta de segurança ativa e pode influenciar futuras vistorias de seguro.
Como a condução semiautônoma influencia o valor do seguro automotivo
O impacto da condução semiautônoma no seguro auto tem se tornado central nas análises de mercado. As seguradoras de automóveis observam queda em colisões graves e atropelamentos em veículos com ADAS, mas notam também que o custo de reparo tende a ser maior em modelos modernos.
Em muitos casos, a substituição de um para-choque com radar integrado ou de um retrovisor com câmera supera o valor de peças convencionais. A necessidade de recalibrar o sistema após o conserto amplia o orçamento, levando seguradoras a revisar tabelas de risco e precificação das apólices, considerando a redução de frequência de acidentes graves e a adoção de produtos como o seguro por uso.
- Fatores avaliados pelas seguradoras:
- Presença e quantidade de itens ADAS no veículo.
- Custo médio de reparo e recalibração desses componentes.
- Histórico de sinistros envolvendo o modelo, com e sem assistência à condução.
- Perfil de uso do carro, como rodagem urbana intensa ou viagens frequentes.

Quais são as tendências futuras da condução semiautônoma e dos custos para o motorista
À medida que a condução semiautônoma se torna padrão em diferentes faixas de preço, a tendência é que os custos de manutenção e reparo se ajustem. Com maior escala, oficinas independentes devem se especializar em ADAS, ampliando a concorrência em serviços como recalibração de câmeras e substituição de sensores.
Outro ponto relevante é a evolução das normas técnicas e das inspeções veiculares, que já são debatidas em vários países para incluir a verificação periódica de sistemas de assistência à condução. Fabricantes, seguradoras e empresas de tecnologia tendem a integrar dados para aperfeiçoar algoritmos e modelos de risco, enquanto o motorista deve conhecer os recursos de assistência, seguir o manual do veículo e informar o seguro sobre os itens instalados.