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Esse brilho misterioso no mar aparece à noite e tem explicação natural
Um fenômeno natural raro que transforma a água em luz
Em algumas noites, especialmente em regiões tropicais e costeiras, o mar parece ganhar luz própria, com ondas azuladas, rastros luminosos deixados por barcos e até pegadas brilhantes na areia molhada. Essa luminosidade, que causa encanto e estranhamento, tem explicações ligadas à biologia, à química e ao comportamento de pequenos organismos presentes na água. Com o aumento de registros em fotos e vídeos, o fenômeno se tornou ainda mais conhecido, ampliando a curiosidade do público. A ciência, porém, já reconhece esse espetáculo como um processo natural bem documentado.
O que é o brilho do mar à noite e qual é a principal palavra-chave?
O brilho do mar à noite é chamado de bioluminescência marinha, capacidade de certos organismos vivos emitirem luz por meio de reações químicas internas. No oceano, esse clarão costuma aparecer em tons azulados ou esverdeados, devido às propriedades da luz na água e às moléculas envolvidas nas reações químicas.
Grande parte desse brilho vem do fitoplâncton bioluminescente, especialmente dinoflagelados microscópicos que flutuam na coluna d’água. Em termos químicos, a bioluminescência envolve a reação entre luciferina e luciferase na presença de oxigênio, liberando energia na forma de luz fria e suave quando bilhões de organismos se iluminam ao mesmo tempo.

Por que o mar brilha mais à noite e como os organismos usam essa luz?
O mar brilha mais à noite porque o contraste com a escuridão torna a luz bioluminescente visível ao olho humano. Durante o dia, mesmo que os organismos continuem ativos, a luminosidade do sol ofusca qualquer clarão produzido, e o efeito só se destaca plenamente em noites escuras e com pouca iluminação artificial.
Os micro-organismos e animais que produzem esse brilho utilizam a bioluminescência para funções naturais de sobrevivência e interação no ambiente marinho. Entre os principais usos estão estratégias de defesa, comunicação e camuflagem, que variam de acordo com a espécie e a profundidade onde vivem.
- Defesa: alguns dinoflagelados emitem luz quando são perturbados, o que pode assustar predadores ou denunciar a presença deles para animais maiores.
- Comunicação: certas espécies usam sinais luminosos para atrair parceiros, coordenar cardumes ou reconhecer indivíduos da mesma espécie.
- Camuflagem inversa: em águas profundas, alguns peixes emitem luz no ventre para se misturar ao brilho fraco vindo da superfície, dificultando a visualização por predadores.
Onde e quando o mar bioluminescente é mais fácil de observar?
Embora o brilho do mar possa ocorrer em muitos lugares, algumas regiões se tornaram conhecidas por registrar bioluminescência com frequência. Baías abrigadas, lagunas e enseadas de águas calmas concentram grandes quantidades de fitoplâncton, sendo chamadas em diversos países de “baías bioluminescentes”.
Alguns fatores ambientais aumentam as chances de encontrar o mar brilhando de forma intensa e visível. No Brasil, relatos surgem em praias de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e do Nordeste, mas a intensidade varia de ano para ano, influenciada por correntes, temperatura da água e disponibilidade de nutrientes.
| Fator | Onde ocorre com mais facilidade | Quando observar |
|---|---|---|
| Tipo de local | Baías, lagunas e enseadas de águas calmas. | Regiões protegidas de ondas fortes. |
| Iluminação natural | Praias afastadas de cidades e luz artificial. | Noites de lua nova ou céu muito nublado. |
| Condições do mar | Águas tranquilas, com pouco vento e baixa ressaca. | Após dias sem tempestades ou agitação intensa. |
| Temperatura da água | Regiões de águas mais quentes. | Meses mais quentes do ano. |
| Presença de nutrientes | Áreas com maior concentração de fitoplâncton. | Períodos favoráveis à proliferação de organismos luminosos. |
| Relatos no Brasil | Litoral de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Nordeste. | Varia conforme o ano e as condições ambientais. |
Em algumas noites, o mar pode brilhar como se tivesse luz própria.
Neste vídeo do canal G1, com mais de 2.1 milhão de inscritos e cerca de 137 mil visualizações, o que causa esse fenômeno natural é explicado:
O mar que brilha é perigoso e quais curiosidades ajudam a entender o fenômeno?
Na maioria dos casos, a bioluminescência é apenas um espetáculo visual sem riscos diretos para banhistas. Porém, certas florações de algas bioluminescentes podem estar associadas a marés vermelhas, que, dependendo da espécie, liberam toxinas prejudiciais à fauna marinha e ao consumo de frutos do mar, exigindo monitoramento ambiental.
Algumas curiosidades ajudam a compreender melhor como esse brilho se espalha pelos oceanos e sua importância ecológica. Nem todo mar brilhante indica contaminação, e a cor azul predominante ocorre porque esse comprimento de onda se propaga melhor na água do mar, especialmente em grandes profundidades.
- Em águas profundas, a bioluminescência é ainda mais comum do que perto da costa, sendo essencial para caça, fuga e reprodução de muitos animais.
- Registros modernos de mar brilhando se multiplicaram graças a câmeras de smartphones, que captam luz fraca com mais facilidade.
- O fenômeno é uma manifestação de bioluminescência marinha guiada por processos biológicos e químicos antigos, ligados à base da cadeia alimentar oceânica.