Automobilismo
Tecnologias automotivas encarecem carros sem entregar benefícios reais ao motorista
Inovações prometem conforto, mas geram mais gastos
Tem coisa em carro moderno que parece mais pegadinha do que evolução. As montadoras prometem tecnologia, conforto e segurança, mas, na prática, muita novidade só aumenta o preço final e complica a vida de quem dirige no dia a dia. Entre serviços por assinatura, comandos touch para tudo e soluções “inteligentes” que quase ninguém usa, sobra curiosidade e falta utilidade real.
Tecnologias inúteis nos carros realmente fazem falta?
Um bom exemplo dessa onda é o concierge automotivo por assinatura, como o famoso serviço OnStar, da Chevrolet. A ideia parece sofisticada: assistência 24h, comandos remotos pelo aplicativo e localização do veículo, mas, passada a fase “grátis”, grande parte dos motoristas simplesmente deixa de renovar.
Hoje, com navegação por mapas, aplicativos de transporte e buscas no Google, pagar mensalidade para receber orientações pelo sistema do carro soa dispensável. A integração com Android Auto e Apple CarPlay já supre a maior parte dessas necessidades, tornando o concierge mais um item de catálogo do que algo indispensável.

Correia dentada banhada em óleo é inovação ou dor de cabeça?
A correia dentada banhada em óleo surgiu como meio-termo entre a correia “seca” tradicional e a corrente de comando. No papel, promete maior durabilidade e intervalos de troca bem mais longos, chegando a 240.000 km em alguns motores, o que agrada quem roda bastante.
Na prática, porém, qualquer descuido com o óleo do motor pode gerar desgaste prematuro e falhas graves. Se a correia se desfaz, partículas podem entupir o pescador de óleo, prejudicar a lubrificação e até causar danos caros ao motor, elevando o custo de manutenção preventiva e o risco para o proprietário.
Assistente de estacionamento e pneus run flat ajudam de verdade?
O assistente de estacionamento promete facilitar manobras em vagas apertadas, medindo o espaço e guiando o volante. No uso diário, porém, o sistema costuma ser mais lento que estacionar manualmente, exigindo que o motorista siga instruções de engate, aceleração e frenagem, o que desestimula seu uso contínuo.
Já os pneus run flat permitem rodar mesmo após um furo, dispensando o estepe, mas têm custos mais altos e são mais duros, tirando conforto. Em vias esburacadas, rasgos em impactos fortes costumam inutilizar o pneu, deixando o motorista parado e dependente de guincho, sem que o prometido ganho de segurança compense sempre o investimento.
Ar-condicionado touchscreen e câmbio automatizado valem a pena?
Seguindo a ideia de “quanto mais tela, melhor”, muitos carros adotaram controles de ar-condicionado totalmente touch, sem botões físicos. O painel fica mais limpo e moderno, mas o motorista perde a memória muscular, precisa desviar os olhos da via e tocar pontos específicos da tela, o que aumenta distrações no trânsito.
Outro ponto polêmico é o câmbio automatizado de embreagem simples, como Dualogic, I-Motion e Easytronic, criado como opção mais barata ao automático tradicional. Apesar de eliminar o pedal de embreagem, muitos relatam trancos, respostas lentas e necessidade de adaptação, além de sistemas eletro-hidráulicos que pedem manutenção especializada.
Confira a publicação do Meu Carro LifeStyle, no YouTube, com a mensagem “Tecnologias inúteis que ninguém pediu nos carros!”, destacando recursos desnecessários da indústria automotiva, críticas bem-humoradas a excessos tecnológicos e o foco em consumo consciente e informação ao motorista:
Freio de estacionamento no pé e alertas estranhos ainda fazem sentido?
Alguns recursos parecem ter sido herdados de carros antigos sem grande atualização, como o freio de estacionamento no pedal. Em vez de alavanca no console ou botão eletrônico, o motorista precisa acionar um pedal lateral, solução pouco intuitiva para quem não está acostumado ou tem limitações físicas.
Também surgiram soluções como eco indicadores e avisos de mudança de marcha, que tentam orientar a condução sem um conta-giros clássico. Em muitos modelos, esse alerta visual substitui o relógio tradicional, mas muitos motoristas ainda confiam mais no som do motor e na própria experiência para definir o momento ideal de trocar de marcha.
- Freio de estacionamento no pé herdado de projetos antigos e pouco ergonômicos.
- Alertas de troca de marcha que nem sempre combinam com o estilo de condução.
- Indicadores de economia que competem com o econômetro mais intuitivo.
- Sensação de “tecnologia a qualquer custo”, sem ganho claro no uso diário.
Start-stop, comandos por gesto e outras firulas curiosas valem o custo?
O start-stop automático desliga o motor em paradas e religa ao soltar o freio ou pisar no acelerador, prometendo menor emissão e, em alguns casos, economia de combustível. Porém, muitos motoristas relatam desconforto, queda de eficiência do ar-condicionado e necessidade de usar baterias EFB ou AGM, bem mais caras na hora da troca.
Os comandos por gesto na central multimídia também chamaram atenção ao permitir mudar telas sem tocar na superfície, apenas movendo a mão. No dia a dia, o recurso se mostrou pouco preciso e menos prático que botões físicos ou o toque simples, sendo abandonado em vários mercados e ilustrando bem as tecnologias “que ninguém pediu” nos carros.