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Por que o calor aumenta à noite mesmo sem sol forte

Calor acumulado durante o dia muda o conforto à noite

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Por que o calor aumenta à noite mesmo sem sol forte
Umidade elevada intensifica a sensação de calor à noite

Em muitas regiões do Brasil, especialmente nas estações mais quentes, é comum perceber que algumas noites parecem mais abafadas que os próprios dias. A sensação de calor persistente após o pôr do sol gera dúvidas sobre o que acontece na atmosfera para que isso ocorra. A resposta envolve uma combinação de fatores como umidade do ar, ventos fracos, cobertura de nuvens, características das cidades e até mudanças climáticas recentes.

Por que algumas noites parecem mais abafadas que os dias

O fator central por trás das noites abafadas é a dificuldade da atmosfera em liberar o calor acumulado durante o dia. Em dias de muito sol, o solo, os prédios e o asfalto absorvem grande quantidade de energia.

Quando chega a noite, essa energia é devolvida lentamente para o ar, processo conhecido como resfriamento radiativo. Se o ambiente encontra barreiras para dissipar esse calor, a temperatura cai pouco e a sensação de bochorno permanece por horas, mesmo sem a presença direta do sol.

Por que o calor aumenta à noite mesmo sem sol forte
Esse detalhe do clima deixa a noite mais quente que o dia

Como a umidade e a sensação térmica afetam o desconforto noturno

Ao anoitecer, a queda de temperatura nem sempre é suficiente para gerar conforto térmico. Em muitos cenários, o corpo continua sentindo calor intenso, mesmo com alguns graus a menos no termômetro, devido ao modo como o organismo troca calor com o ambiente.

Isso acontece porque a sensação de abafamento não depende apenas da temperatura do ar, mas também da umidade relativa, da circulação de ventos e da capacidade do suor evaporar. Em noites úmidas, o suor evapora com mais dificuldade e o corpo perde eficiência no resfriamento natural.

Qual é o papel da umidade e das nuvens nas noites abafadas

A palavra-chave para entender o abafamento noturno é a umidade. Quanto maior a quantidade de vapor d’água no ar, maior a capacidade da atmosfera de reter calor, funcionando como um “cobertor” natural que dificulta a perda de energia para o espaço.

A presença de nuvens reforça esse efeito. Durante o dia, elas podem até reduzir um pouco a incidência direta do sol, mas à noite atuam como uma barreira que impede a saída da radiação infravermelha emitida pela superfície, reduzindo a diferença entre a temperatura diurna e noturna.

Nesse contexto, algumas características se tornam típicas de noites abafadas e ajudam a entender por que o desconforto térmico permanece mesmo sem sol:

  • Noites úmidas dificultam a evaporação do suor e o resfriamento do corpo.
  • Nuvens reduzem a perda de calor pela superfície durante a madrugada.
  • A diferença entre a temperatura do dia e da noite fica menor.
  • O desconforto térmico aumenta, apesar da ausência de radiação solar direta.

Mesmo sem sol, certas noites transmitem um abafamento que incomoda mais do que o calor diurno.
Neste vídeo do canal Física com Douglas, que reúne aproximadamente 397 mil inscritos e mais de 8.5 mil visualizações, esse clima aparece com frequência:

Por que as cidades retêm mais calor durante a noite

Nas áreas urbanas, o fenômeno das ilhas de calor intensifica as noites abafadas. Materiais como concreto, tijolo e asfalto absorvem energia solar com facilidade e liberam esse calor lentamente ao longo da noite, mantendo o ar mais aquecido.

A grande quantidade de edificações, o tráfego de veículos e a falta de áreas verdes reduzem a ventilação e favorecem a permanência do ar quente nas camadas mais baixas da atmosfera. Com isso, forma-se um “microclima” urbano em que as temperaturas noturnas podem ser vários graus mais altas do que em áreas rurais próximas.

  1. Superfícies escuras e duras absorvem mais calor durante o dia.
  2. À noite, o calor é devolvido lentamente ao ar urbano.
  3. Prédios e muros dificultam a passagem dos ventos.
  4. Menos vegetação significa menos sombra e menor amenização térmica.

Essas noites abafadas têm relação com as mudanças climáticas

Pesquisas recentes indicam que ondas de calor e noites tropicais, em que a temperatura permanece elevada durante toda a madrugada, vêm se tornando mais frequentes em várias partes do mundo. O aquecimento global altera padrões de circulação atmosférica e favorece períodos prolongados de calor, tanto de dia quanto à noite.

No contexto urbano, esse cenário se soma ao crescimento das cidades e à redução de áreas verdes, ampliando o impacto das noites abafadas na rotina da população. Isso afeta o sono, o bem-estar, o consumo de energia e até a saúde, o que reforça a necessidade de arborização, materiais mais refletivos e melhor ventilação urbana como estratégias de adaptação ao clima.