Carnaval
Dirigentes da Série Ouro levam denúncias contra a Liesa à Alerj
Liga RJ aponta venda casada, restrições de acesso e exclusividade no Sambódromo
Dirigentes das escolas de samba da Série Ouro entregaram denúncias contra a Liesa ao vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Rio. As reclamações foram encaminhadas pela direção da Liga RJ, responsável pelos desfiles da Série Ouro e do Grupo de Acesso.
Entre as denúncias apresentadas estão a suposta venda casada de camarotes, a restrição de acesso ao Sambódromo para dirigentes e sambistas e a concessão de credenciais a pessoas sem vínculo institucional com o Carnaval. Também foi apontada a exclusividade comercial para a venda de apenas uma marca de cerveja na Marquês de Sapucaí.
Diante do material recebido, o deputado Dionísio Lins informou que vai encaminhar um ofício à Liga das Escolas de Samba e à Riotur solicitando esclarecimentos sobre as possíveis irregularidades na gestão do Sambódromo e na organização do desfile de 2026.
Segundo o parlamentar, a proximidade do desfile do Grupo Especial aumenta a preocupação das agremiações. Ele destacou que o cenário gera insegurança em todo o mundo do samba.
“Faltando 15 dias para o desfile das escolas de samba do Grupo Especial, essas interrogações trazem intranquilidade não só para as agremiações da Série Ouro e Grupo de Acesso; mas para todo o mundo do samba. É preciso que a Riotur intervenha e cobre da Liesa um posicionamento principalmente no que diz respeito ao credenciamento para a circulação no Sambódromo, que de alguns anos para cá vem credenciando pessoas que nada tem a ver com os desfiles e sem nenhum vínculo institucional, dando livre acesso a pista e aos camarotes, e deixando de fora quem realmente colabora para produzir a maior festa do planeta”, afirmou.
Quais são as principais reclamações das escolas?
Dionísio Lins afirmou que há insatisfação generalizada entre as escolas da Série Ouro em relação a decisões da Liesa. Entre os pontos citados estão a falta de garantia para a realização dos ensaios técnicos, a imposição da venda de apenas uma marca de cerveja, restrições impostas a sambistas e dirigentes e a exploração comercial de camarotes e espaços publicitários durante os desfiles da Série Ouro, sem repasse financeiro às agremiações.

“As escolas da Série Ouro não querem nenhum tipo de conforto, mas uma posição firme e imparcial por parte da Riotur, e é isso que estamos cobrando”, disse o deputado.
O parlamentar ressaltou ainda que, caso as informações prestadas pela Riotur e pela Liesa não sejam consideradas satisfatórias, pretende ingressar com uma ação no Ministério Público pedindo investigação rigorosa sobre os possíveis abusos denunciados.
Para Dionísio Lins, a transparência no acesso à pista e aos camarotes, na comercialização de patrocínios e no repasse de recursos às escolas é fundamental para que a tranquilidade volte a reinar no Carnaval do Rio.