Últimas Notícias
Estudo revela dados sobre a violência contra pessoas trans
Brasil é o país que mais mata pessoas trans por 18 anos consecutivosA Rede Nacional de Pessoas Trans divulgou nesta segunda-feira (26), um Dossiê com dados de violência sofrida por pessoas trans no país em 2025, e os dados são alarmantes: o Brasil é, pelo 18º ano consecutivo, o país que mais mata pessoas transsexuais no mundo, com 30% dos casos.
No ano passado, 91 pessoas trans foram mortas no Brasil, sendo as trabalhadoras do sexo o principal alvo dos assassinos, seguidas pelos ativistas e líderes de movimentos sociais, que representam 14% dos casos. Ao todo, foram 14 mortes a menos em relação a 2024.
A maior parte dos casos é registrada através de monitoramento independente, porque, segundo a Rede Trans, o Estado muitas vezes ignora a identidade de gênero das vítimas no boletim de ocorrência.
A secretária de Comunicação da Rede Trans Brasil, Sayonara Nogueira, comenta sobre o registro de casos, e como a falta de dados oficiais dificulta nas pesquisas de assassinatos dessas pessoas no país:
“Sem um avanço em áreas como a segurança pública, podemos afirmar que há um aumento na subnotificação. Quando o crime ocorre, mas a transexualidade da vítima não é computada no boletim de ocorrência, se os órgãos de segurança públicos deixam de registrar o gênero ou o nome, a vítima desaparece. A gente observa que, com exceção de 2025, o Brasil raramente consegue baixar a marca de 100 assassinatos anuais, o que consolida o país como um dos mais perigosos do mundo para pessoas trans. Todavia, as reduções numéricas não significam redução na crueldade dos ataques. Os relatórios da Rede Trans Brasil, que estão com 10 anos de monitoramento, frequentemente vão apontar que, mesmo quando o número total cai, o requinte de crueldade nos crimes cometidos permanece um indicador alarmante de transfobia”.
Além disso, Sayonara Nogueira ressalta o que deveria ser feito para que os assassinatos continuem caindo nos próximos anos:
“É necessário uma integração de sistema, onde exista o cruzamento de dados entre o SUS, que vai atender por violência, e a Secretaria de Segurança Pública, para identificar focos de risco antes que a agressão vire um homicídio. A violência atinge com mais força quem está em situação de rua ou na prostituição compulsória, então é preciso ainda investir e criar programas de combate ao bullying transfóbico, para garantir que jovens trans terminem, no mínimo, a educação básica, para se qualificar para o mercado de trabalho formal. Temos que fortalecer também uma rede de proteção, capacitar a segurança pública, capacitar o judiciário e humanizar o atendimento público”, afirma.
Em mais de 90% dos assassinatos relatados, as vítimas eram mulheres trans ou pessoas transfemininas. E 88% das vítimas eram negras ou pardas.
As principais causas de morte são tiros, facadas e violência, mas infelizmente são vistos muitos casos de mortes brutais.
Além disso, em quase 70% dos casos, o autor do crime é desconhecido.
O estado que mais registrou assassinato de pessoas transsexuais foi Minas Gerais, com 9 casos, seguido pelo Ceará, São Paulo e Pernambuco. O Rio de Janeiro se encontra bem abaixo no ranking, com um assassinato registrado no ano passado.
Questionada, a Polícia Civil ressaltou que, em seu sistema policial, possui campo próprio para preenchimento do nome social, quando pertinente. “Dessa forma, todas as pessoas trans são identificadas corretamente. Todos os casos registrados são investigados, a fim de identificar e responsabilizar criminalmente os autores”, afirmam.