Rio
Secretário da Polícia Civil explica o que está por trás da narcocultura no RJ
Em podcast, Felipe Curi detalha como facções usam música para cooptar jovens
O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, participou nesta quarta-feira (28/1) do podcast Código Zero, da Super Rádio Tupi, e aprofundou o conceito de narcocultura, tema que ganhou destaque após as recentes prisões de artistas ligados ao funk carioca, como MC Poze e Oruam.
Em conversa com o jornalista Lucas Araújo, Curi explicou que a narcocultura vai além da simples apologia ao crime. Segundo ele, trata-se de um instrumento sofisticado de dominação e propaganda utilizado por facções criminosas para cooptar jovens moradores de comunidades.
“A narcocultura é um instrumento de dominação, de cooptação. Por meio de algum estilo musical ou qualquer arte, você faz propaganda de uma facção criminosa e romantiza aquilo”, afirmou o secretário.
Curi destacou que as letras que incitam violência contra a polícia e facções rivais, mencionam armas e barricadas, incutem na cabeça de adolescentes e jovens que aquele estilo de vida é o correto. “Ele está fazendo com que aquilo pareça referência, quando na verdade não é referência para ninguém”, pontuou.
O secretário questionou por que artistas que se apresentam como representantes da periferia não retratam a realidade completa das comunidades. “Se eles são os caras que venceram na vida e hoje moram em condomínios de luxo, por que não falam da barricada que impede o direito de ir e vir? Por que não falam da filha do morador que é assediada pelo chefe do tráfico e pode ser morta se recusar?”, indagou.
A exploração econômica nas comunidades
Curi também denunciou a exploração econômica imposta por traficantes aos moradores. Segundo ele, comerciantes são obrigados a comprar gás, contratar serviços de internet de péssima qualidade e utilizar apenas os fornecedores indicados pelo tráfico, sob pena de morte.
“Essa é a verdadeira realidade periférica que não é retratada. A suposta arte periférica é, na verdade, um instrumento disfarçado de dominação e propaganda de facção criminosa”, afirmou o secretário.
Como exemplo da vinculação entre artistas e facções, Curi ressaltou que os funkeiros citados não fazem shows em favelas dominadas por organizações rivais ao Comando Vermelho. “Eles não vão em favela de TCP, não vão em área de milícia. Se forem, morrem. São instrumentos de propaganda do Comando Vermelho, e é isso que não vamos permitir”, declarou.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro intensificou nos últimos meses operações contra a narcocultura, resultando em prisões de artistas por associação ao tráfico e lavagem de dinheiro. As investigações buscam desarticular a relação entre o mundo artístico e as facções criminosas que atuam no estado.
O podcast Código Zero vai ao ar toda quarta-feira, a partir das 15h, no YouTube da Super Rádio Tupi, Spotify, Amazon Music e Apple Podcasts.
Acompanhe abaixo a entrevista completa com Felipe Curi: