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Por que algumas árvores resolvem florescer fora de época e surpreendem todo mundo

Mudanças no clima e no ambiente interferem no ciclo natural

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Por que algumas árvores resolvem florescer fora de época e surpreendem todo mundo
A floração irregular pode ser uma estratégia de sobrevivência da espécie

Em diferentes cidades do Brasil, é comum encontrar, em pleno “inverno” ou no auge do calor, árvores cobertas de flores, como se o calendário estivesse trocado. Esse comportamento chama a atenção de quem passa e gera dúvidas sobre o que leva determinadas espécies a florescerem fora da época considerada normal. Em vez de ser um simples “erro da natureza”, esse fenômeno está ligado a estratégias de sobrevivência e a fatores ambientais específicos, que ajudam a entender também as mudanças climáticas atuais.

Por que algumas árvores florescem fora de época

A principal razão para o florescimento fora de época está ligada a gatilhos ambientais que regulam o ciclo de vida das plantas, como variação de temperatura, regime de chuvas, comprimento do dia (fotoperíodo) e estresse hídrico. Quando esses fatores se combinam de forma diferente do padrão histórico, algumas espécies passam a interpretar esses sinais como o momento ideal para produzir flores.

Em muitas regiões tropicais e subtropicais, a alternância entre períodos chuvosos e secos é mais importante que as estações do calendário. Anos com chuvas adiantadas ou atrasadas, somados a sequências de dias mais quentes no inverno e ao efeito de ilha de calor urbana, podem antecipar ou retardar a floração, gerando ciclos atípicos em áreas urbanas e rurais.

Por que algumas árvores resolvem florescer fora de época e surpreendem todo mundo
Já viu árvore florindo fora de época? Isso não acontece por acaso

Florescer fora de época é adaptação ou sinal de desequilíbrio ambiental

O florescimento fora de época pode representar tanto uma estratégia adaptativa quanto um sinal de desequilíbrio, a depender da espécie e do contexto ecológico. Algumas árvores desenvolveram, ao longo do tempo, a capacidade de emitir flores em diferentes momentos do ano para aumentar as chances de polinização e dispersão de sementes.

Por outro lado, mudanças abruptas, como ondas de calor, frio intenso ou alterações bruscas no regime de chuvas, podem “enganar” a planta. Ela floresce quando há menos polinizadores ou pouca água para sustentar frutos e sementes, o que compromete a regeneração da espécie. Em certas situações, porém, uma segunda ou terceira floração ao longo do ano pode compensar perdas anteriores.

Quais fatores influenciam o florescimento inesperado das árvores

Diversos fatores climáticos e ambientais ajudam a explicar por que algumas árvores florescem fora da época considerada normal. Pesquisas em botânica e ecologia mostram que o comportamento de floração reflete uma combinação de clima, solo, disponibilidade de água, manejo humano e presença de polinizadores.

Além disso, o ambiente urbano acrescenta elementos como poluição, podas frequentes, irrigação artificial e iluminação noturna, que interferem no “relógio biológico” das plantas. Para entender melhor essa dinâmica, é útil observar os principais gatilhos que estimulam floradas inesperadas:

  • Variação climática: Mudanças na temperatura média, ondas de calor e períodos de frio fora do padrão alteram ritmo de crescimento e floração.
  • Chuvas irregulares: Inícios antecipados ou atrasados de períodos chuvosos induzem floradas que ocorreriam em outra estação.
  • Estresse hídrico: Após seca prolongada seguida de chuva intensa, muitas árvores interpretam o contraste como sinal para florescer.
  • Luz e fotoperíodo: Pequenas variações no comprimento do dia, combinadas à temperatura, influenciam o ciclo de floração.
  • Fenômenos como El Niño e La Niña: Esses eventos alteram o clima em larga escala e afetam o calendário de floração.

Quais espécies costumam florescer fora do período considerado normal

Algumas espécies são conhecidas por apresentar floração irregular ou múltipla ao longo do ano, sobretudo em regiões de clima mais quente. Em áreas urbanas, o manejo humano e as condições microclimáticas fazem com que indivíduos da mesma espécie sigam “calendários” diferentes, mesmo em bairros próximos.

Entre os exemplos mais comuns no Brasil, destacam-se ipês, quaresmeiras, pau-brasil, sibipiruna, flamboyant e bougainville (primavera). Esses grupos respondem de forma intensa a combinações de sol, períodos de seca, chuvas concentradas e podas, o que pode gerar floradas prolongadas, antecipadas ou tardias, muitas vezes chamando a atenção de moradores e visitantes.

Em certos períodos do ano, algumas árvores surpreendem ao florescer fora do tempo esperado.
Neste vídeo do canal BlaBlaLogia, com mais de 384 mil de inscritos e cerca de 3 mil visualizações, esse fenômeno chama atenção na paisagem:

Quais são os impactos ambientais do florescimento fora de época

O florescimento fora de época altera diretamente a oferta de néctar e pólen para abelhas, beija-flores, morcegos e outros polinizadores. Quando a florada se desloca no tempo, surgem períodos com excesso de alimento e outros com escassez, afetando a reprodução de plantas, insetos e aves, além da disponibilidade de frutos para animais frugívoros.

Se muitas espécies vegetais se desencontram dos ciclos de seus polinizadores, a regeneração de florestas e a produtividade de áreas agrícolas podem ser comprometidas. Ao mesmo tempo, floradas em épocas variadas podem garantir alimento em mais momentos do ano, ajudando algumas populações de polinizadores a se manterem em cenários de mudança climática.

Como o florescimento fora de época ajuda a entender o clima atual

Observar árvores que florescem fora de época é uma forma acessível de acompanhar alterações climáticas locais e regionais. Quando esse comportamento se torna mais frequente, ele pode indicar mudanças consistentes em temperatura, regime de chuvas e padrões sazonais, funcionando como um “termômetro vivo” do ambiente.

Em 2025, com o avanço do aquecimento global e de eventos climáticos extremos, o registro de floradas atípicas ganha importância científica. Fotos, anotações de datas e comparações anuais, feitas por pesquisadores e cidadãos, ajudam a mapear como a vegetação responde, de maneira silenciosa e contínua, às transformações do clima ao redor.