Botafogo
John Textor é afastado de holding, mas mantém controle do Botafogo; entenda a situação
Entre dívidas milionárias e queda de braço com credores, americano se segura no comando da SAF do clube carioca através de liminar na justiça do Rio de Janeiro
A gestão de John Textor no Botafogo enfrenta uma crise sem precedentes após o fundo credor Ares decidir afastá-lo do comando da Eagle Football. O conflito atingiu o ápice quando o empresário tentou demitir os diretores Stephen Welch e Hemen Tseayo, que se mostraram contra suas estratégias financeiras. A Ares reagiu prontamente ao anular as demissões, reintegrar os conselheiros e oficializar a saída de Textor da holding com efeito imediato. A medida agrava o isolamento do americano, que já havia perdido o controle operacional do Lyon em meados de 2025.
Dívida milionária e o entrave do transfer ban
O principal motivo do desentendimento envolve a saúde financeira das operações e uma dívida histórica. Em 2022, a Ares emprestou US$ 450 milhões para que Textor adquirisse o Lyon, mas o valor ainda não foi quitado. Além disso, os diretores afastados discordavam do modelo de aporte proposto por ele para resolver as pendências urgentes do Botafogo. O foco principal é o transfer ban que impede o clube de registrar novos jogadores e exige um pagamento imediato, prometido pelo empresário para esta semana.
Estrategicamente, Textor tentou manobrar internamente antes de uma Assembleia Geral da Eagle Football Group. Textor removeu os diretores na tentativa de invalidar seus votos e garantir o controle absoluto das decisões. Com esse movimento, ele planejava destituir a diretoria administrativa formada por Michele Kang e Michael Gerlinger. No entanto, o fundo credor considerou os votos dos diretores como válidos e barrou a tentativa de retomada de controle, tratando a movimentação do americano como irregular.
Liminar no Rio garante Textor no comando da SAF
Apesar da turbulência internacional e do afastamento da Eagle, John Textor segue no comando da SAF do Botafogo. Sua permanência no Brasil está assegurada por uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro, obtida em outubro de 2025, que blinda sua autoridade no clube carioca frente às decisões externas da holding. O empresário classificou as ações da Ares como um “absurdo” e afirmou que já esperava a ofensiva do fundo credor. Seus advogados seguem a mesma linha de defesa.
Mesmo em meio ao embate jurídico e administrativo, o empresário mantém seus compromissos no Alvinegro. Ele é esperado no estádio Nilton Santos nesta quinta-feira (29) para acompanhar o confronto entre Botafogo e Cruzeiro, válido pela rodada de abertura do Campeonato Brasileiro. A expectativa agora gira em torno do cumprimento da promessa de aporte financeiro, essencial para que o clube recupere sua capacidade de mercado e resolva suas sanções desportivas.