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A melhor série de ficção de 2026 levanta debate sobre memória, identidade e futuro do trabalho
Apple TV aposta em “Ruptura” para discutir limites éticos da tecnologia
“Severance“, conhecida no Brasil como “Ruptura“, tem capturado a atenção dos espectadores ao explorar uma premissa intrigante sobre os limites entre vida pessoal e profissional. Disponível na plataforma Apple TV, a série acompanha Mark, que se submete a um procedimento cirúrgico revolucionário na Lumon Industries, onde suas memórias são divididas e ele passa a ter identidades distintas em cada ambiente da vida.
Quais efeitos psicológicos a ruptura de memórias provoca?
A separação artificial de memórias, como a mostrada em Ruptura, abre espaço para investigar possíveis efeitos psicológicos em indivíduos submetidos a esse tipo de limite interno. A criação de identidades distintas para o ambiente de trabalho e para a vida fora da empresa favorece a fragmentação do senso de “eu“”, já que cada “versão” da pessoa lida apenas com parte da realidade.
Entre as consequências imaginadas, destaca-se uma sensação de descontinuidade, como se a própria vida fosse composta por blocos que não se conectam. Sem acesso ao conjunto completo de lembranças, o indivíduo pode ter dificuldade de construir uma narrativa coerente de si, sentir confusão em relação às decisões da “outra” identidade e ficar mais vulnerável à ansiedade e à desorientação.
Como a série aborda o simbolismo da identidade e compartimentalização?
Em “Severance”, o simbolismo é usado para levantar reflexões sobre a definição de identidade no ambiente corporativo. A Lumon Industries representa o poder da empresa sobre o trabalhador e a estética do escritório revela a impessoalidade desse domínio.
Uma das formas que a série utiliza para evidenciar a desconstrução do indivíduo diante do sistema está em diversos elementos, como:
- O espaço físico frio e impessoal do escritório;
- A divisão entre memórias pessoais e profissionais;
- Rituais corporativos que anulam a individualidade.

O que a série sugere sobre o futuro do trabalho e da identidade?
A narrativa de Ruptura não se limita a apresentar um procedimento fictício de divisão de memórias; ela sugere um horizonte em que a vida profissional passa a ocupar um espaço central na definição de quem alguém é. Ao mostrar personagens que literalmente existem apenas no escritório, a produção questiona a tendência de reduzir pessoas a cargos, funções e produtividade.
Entre as reflexões que podem ser extraídas, destacam-se:
- a importância da continuidade de experiências para a construção da identidade;
- os riscos de terceirizar a gestão da própria memória a instituições;
- a necessidade de transparência e limites éticos em tecnologias que lidam com o íntimo humano.
Dessa forma, Ruptura coloca em pauta não apenas o que acontece dentro da Lumon, mas também como sociedades atuais lidam com tempo, corpo e memória em contextos de trabalho intensos. A série funciona como um laboratório ficcional em que a ruptura de memórias expõe tensões já presentes em 2026, convidando à observação crítica das relações entre indivíduo, empresa e identidade.