Esportes
Revolta global atinge estúdios de grande empresa de jogos
Funcionários protestam contra fim do teletrabalho e pacote de austeridade de 200 milhões de euros
Uma greve descrita pelos sindicatos como “massiva e internacional” começou nesta terça-feira, 10 de fevereiro, na Ubisoft, uma das maiores empresas de videogames do mundo. A paralisação, prevista para durar três dias, ocorre em meio a um processo de reorganização interna e apenas dois dias antes da divulgação dos resultados trimestrais do grupo, aumentando a pressão sobre a direção da empresa francesa.
O movimento foi convocado em resposta ao quase fim do regime de teletrabalho e à implementação de um novo plano de economia anunciado no fim de janeiro. Desde as primeiras horas da manhã, piquetes foram organizados em frente aos estúdios da Ubisoft em cidades como Paris, Bordeaux, Montpellier, Annecy e Lyon. Os sindicatos também convocaram uma grande concentração às 14h, em Saint-Mandé, diante da sede do grupo na capital francesa.
A mobilização pode ganhar proporções ainda maiores, já que outros estúdios ao redor do mundo avaliam aderir ao protesto, incluindo uma manifestação prevista em frente ao escritório de Milão, na Itália.
Reorganização e clima de desconfiança
A insatisfação dos trabalhadores aumentou após o anúncio, em 21 de janeiro, de uma nova reorganização interna que prevê o cancelamento de vários jogos e um plano de austeridade de 200 milhões de euros ao longo de dois anos. Para os funcionários, a medida reacendeu conflitos que marcaram 2024, quando já havia críticas à redução do teletrabalho e às condições salariais.
Entre os pontos mais sensíveis está a intenção da empresa de retomar o trabalho presencial cinco dias por semana, mantendo apenas uma cota anual de home office. Em panfleto intersindical divulgado nas redes sociais, os representantes dos trabalhadores pedem o fim do que chamam de “obsessão anti-teletrabalho”, criticam decisões consideradas autoritárias e denunciam um “diálogo social desprezado”.
Segundo Vincent Cambedouzou, delegado do Sindicato dos Trabalhadores de Videogame (STJV), o sentimento entre os funcionários é de desgaste. “As pessoas tiveram a impressão de um retorno ao inferno. Já fechamos estúdios e demitimos gente em todo o mundo”, afirmou em declarações reproduzidas pela France Info.
Para Pierre-Étienne Marx, também membro do STJV, há um clima de raiva entre os cerca de 3.800 empregados da Ubisoft na França. Ele avalia que decisões industriais equivocadas minaram a confiança na liderança da empresa.
A preocupação aumentou após a confirmação de um plano de saída voluntária que pode afetar cerca de 200 pessoas na sede da Ubisoft, onde trabalham aproximadamente 1.100 funcionários. Representantes sindicais temem que a iniciativa seja apenas o início de novas medidas de corte. “É potencialmente o prelúdio para outros planos sociais”, alertou um delegado da CGT Ubisoft, lembrando que o quadro de funcionários da sede já encolheu cerca de 10% nos últimos dois anos.