Carnaval
Grande Rio leva o Manguebeat para a Sapucaí no Carnaval 2026
Com o enredo “Aquarela do Mangue”, escola de Duque de Caxias aposta na força cultural do movimento pernambucano e estreia do carnavalesco Antônio Gonzaga
A Acadêmicos do Grande Rio vai levar para a Marquês de Sapucaí, no Carnaval de 2026, as influências do Manguebeat. Com o enredo “Aquarela do Mangue”, a escola de Duque de Caxias pretende conduzir o público até o Recife dos anos 1990, quando um movimento cultural transformou a realidade da periferia ao misturar tradição e modernidade.
Inspirado na força simbólica do mangue — onde se encontram água doce e salgada — o enredo celebra a revolução artística liderada por nomes como Chico Science e Fred 04. A proposta destaca a mistura de maracatu com rock, coco com hip hop, tradição com tecnologia, que marcou o surgimento do Manguebeat e projetou bandas como Nação Zumbi e Mundo Livre S.A. para além das fronteiras de Pernambuco.
Fundada em 1988, a Grande Rio mantém para 2026 o intérprete Evandro Malandro e Mestre Fafá à frente da bateria Invocada. A novidade é a estreia do carnavalesco Antônio Gonzaga, que já atuou como assistente na escola e agora assina o projeto sozinho. Ele explica que a escolha do tema tem relação direta com sua trajetória pessoal e com a identidade da agremiação.
“Eu sempre tive vontade de fazer um enredo sobre o Manguebeat. Eu escuto Nação Zumbi desde muito novo, então era uma coisa que eu escutava com o meu pai. E chegando na Grande Rio, a minha estreia aqui este ano, entendi também a identidade da escola. A escola gosta muito de dialogar com culturas de outros estados”, afirmou.
Segundo Gonzaga, a conexão entre Recife e Duque de Caxias foi decisiva para a construção do enredo.
“Pesquisando um pouco encontrei essa associação dos manguezais de Recife com a própria formação geográfica de Caxias. Caxias é uma cidade cercada por manguezais. Então traçar esse paralelo de um movimento social e musical da periferia de Recife com a escola de samba, que também é um movimento social, político e cultural da Baixada Fluminense, foi o ponto de partida”, explicou.
O carnavalesco também destaca o papel da escola de samba como espaço de valorização cultural.
“O movimento Manguebeat é tão importante quanto a Tropicália, por exemplo, mas talvez por estar fora do eixo Rio-São Paulo, ele não recebe tanto protagonismo quanto deveria. Acredito que o papel da escola de samba seja trazer essa celebração das nossas raízes culturais para o palco principal do planeta”, declarou.
Em 2026, a Grande Rio será a terceira escola do Grupo Especial a desfilar na última noite, na terça-feira de Carnaval, dia 17 de fevereiro. Campeã em 2022, a tricolor de Caxias aposta na força da lama como símbolo de resistência, fertilidade e transformação cultural.