Economia
Gasolina sobe e energia cai: o que puxou o IPCA em janeiro
IPCA registra inflação moderada em janeiro com queda na energia e alta da gasolina
Os dados oficiais mais recentes mostram que a inflação medida pelo IPCA iniciou o ano com variação moderada, mantendo-se abaixo do teto da meta estabelecida para 2026. Em janeiro, o índice registrou alta de 0,33%, repetindo o resultado de dezembro e acumulando 4,44% em 12 meses, o que indica um cenário de preços pressionados em alguns segmentos, mas ainda sem sinais de descontrole generalizado.
O que é o IPCA e como está o comportamento recente da inflação
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, conhecido como IPCA, é o indicador oficial de inflação utilizado como referência para o sistema de metas no Brasil. Ele acompanha a variação de preços de uma cesta ampla de produtos e serviços consumidos por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.
Em janeiro de 2026, a taxa de 0,33% ficou acima do resultado de janeiro de 2024, que havia sido de 0,16%, mas ainda é compatível com o objetivo de estabilidade de preços da política econômica. O valor acumulado em 12 meses, de 4,44%, permanece abaixo do limite superior da meta, favorecendo decisões de crédito, reajustes contratuais, acordos salariais e planejamento empresarial.
Como energia elétrica e gasolina impactam o IPCA e o orçamento das famílias
A palavra-chave central neste cenário é IPCA, mas dois componentes merecem atenção especial: energia elétrica residencial e gasolina. Esses itens têm peso elevado na cesta do índice e suas oscilações de preço geram impacto significativo tanto no resultado mensal quanto no custo de vida das famílias.
No caso da energia, a queda de 2,73% em janeiro esteve ligada à mudança da bandeira tarifária, de amarela para verde, eliminando a cobrança extra por 100 kWh consumidos. Já a gasolina avançou 2,06%, refletindo reajuste de ICMS a partir de 1º de janeiro, o que pressionou o grupo Transportes e elevou gastos com deslocamentos diários.
- Energia elétrica residencial: queda de 2,73% e maior impacto negativo no IPCA do mês.
- Gasolina: alta de 2,06% e principal contribuição positiva individual para a inflação.
- Combustíveis em geral: avanço de 2,14%, incluindo etanol, diesel e gás veicular.
Quais grupos do IPCA mais influenciaram a inflação de janeiro
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, Habitação registrou recuo de 0,11%, puxado principalmente pela redução na energia elétrica. Também houve queda no grupo Vestuário, com variação de -0,25%, ajudando a limitar a alta do índice geral diante de pressões em outros segmentos.
O grupo Transportes apresentou elevação de 0,60% e foi o principal responsável pela pressão altista em janeiro, com combustíveis em alta e reajustes no transporte público urbano em capitais como Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Vitória. Em sentido contrário, transporte por aplicativo e passagem aérea ficaram mais baratos, após fortes aumentos em dezembro.

Como alimentação, regiões e o INPC se comportaram no início de 2026
O grupo Alimentação e bebidas, que tem o maior peso no IPCA (21,42%), apresentou leve desaceleração, passando de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro. A alimentação no domicílio variou 0,10%, com queda do leite longa vida e do ovo de galinha, enquanto tomate e carnes registraram aumento; a alimentação fora de casa também subiu, mas em ritmo menor.
As variações regionais e o comportamento do INPC ajudam a entender como a inflação atinge faixas de renda e localidades de forma diferente, embora ainda abaixo do teto da meta em 2026. A tabela a seguir resume alguns dos principais destaques regionais e dos índices em 12 meses.
| Indicador / Região | Variação em janeiro de 2026 | Acumulado em 12 meses | Observação principal |
|---|---|---|---|
| IPCA – Rio Branco | 0,81% | 4,44% (Brasil) | Maior variação mensal, com altas em energia e higiene pessoal |
| IPCA – Belém | 0,16% | 4,44% (Brasil) | Menor variação, favorecida por queda da energia e da passagem aérea |
| IPCA – Brasil | 0,33% | 4,44% | Inflação abaixo do teto da meta de 2026 |
| INPC – Brasil | 0,39% | 4,30% | Maior impacto de itens não alimentícios para renda de 1 a 5 salários |
Do ponto de vista regional, Rio Branco teve a maior alta do IPCA, com 0,81%, influenciada por aumentos na energia elétrica residencial e em artigos de higiene pessoal. Já Belém registrou a menor inflação, de 0,16%, beneficiada pelo recuo da energia elétrica e da passagem aérea, mostrando como choques específicos podem alterar o custo de vida local.
O INPC, que mede a inflação para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, teve alta de 0,39% em janeiro, acima dos 0,21% de dezembro, e acumulou 4,30% em 12 meses. Os produtos alimentícios desaceleraram, enquanto os não alimentícios avançaram com mais força, reproduzindo em grande parte o padrão observado no IPCA e reforçando que, apesar de pressões pontuais, a inflação segue abaixo do teto da meta em 2026.