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COI admite rever regras de expressão após caso em Olimpíada de Inverno
Presidente Kirsty Coventry afirma que normas seguem válidas, mas revisão pode ocorrer diante de polêmica envolvendo atleta ucraniano
O Comitê Olímpico Internacional (COI) está aberto a revisar as diretrizes que regulam a liberdade de expressão dos atletas nos Jogos Olímpicos, mas afirma que as regras atuais seguem sendo aceitas pela maioria dos competidores. A declaração foi feita pela presidente da entidade, Kirsty Coventry, na última sexta-feira.
O debate ganhou força após o caso do piloto de skeleton Vladyslav Heraskevych, desclassificado da Olimpíada de Inverno de Milão-Cortina por competir com um capacete que exibia atletas mortos desde a invasão russa da Ucrânia. O ucraniano recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) para tentar reverter a punição.
Coventry, eleita presidente do COI no ano passado, foi responsável por liderar a revisão das diretrizes sobre expressão quando comandava a comissão de atletas da entidade, em 2021.
“Qualquer nova revisão das diretrizes seria competência do grupo de trabalho que analisa os princípios fundamentais do Olimpismo”, afirmou a dirigente em coletiva.
Segundo ela, conversas recentes com atletas indicam apoio às regras atuais. “Eles ainda sentem fortemente que precisamos manter parte do movimento olímpico e da experiência olímpica em segurança”, declarou.
Evitando “distrações”
De acordo com as normas vigentes, os atletas podem se manifestar em entrevistas coletivas, zonas mistas, reuniões de equipe, conversas com a imprensa ou nas redes sociais. No entanto, as manifestações não são permitidas durante as competições nem nas cerimônias de medalhas.
O COI defende que as áreas de prova devem permanecer livres de distrações. A Regra 50.2 da Carta Olímpica determina que nenhum tipo de demonstração ou propaganda política, religiosa ou racial é permitido em locais ou sedes olímpicas.
Com o crescimento das redes sociais e o ambiente político tenso nos Estados Unidos antes dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, há preocupação de que as normas sejam ainda mais testadas nos próximos anos.
“Se nossos atletas quiserem que analisemos as regras, estamos abertos a tudo. Mas as regras são as de hoje, e acredito que são boas. Elas protegem nossos atletas de serem usados, e eles acreditam que as diretrizes continuam relevantes no mundo atual”, concluiu Coventry.