Entretenimento
Diversões simples que não custavam nada e ocupavam a tarde inteira
Imaginação era tudo o que a gente precisava
As lembranças da infância costumam surgir em detalhes pequenos: o som das risadas na rua de terra, a poeira subindo durante as corridas e a criatividade transformando qualquer objeto em brinquedo. Para muitas pessoas que cresceram antes da popularização dos eletrônicos, as diversões mais marcantes eram as que não custavam nada, mas ocupavam a tarde inteira, como brincar de casinha com lata e pedra.
O que torna as brincadeiras simples tão marcantes na memória afetiva?
A nostalgia de infância ligada às diversões simples é frequentemente lembrada como um período em que a imaginação tinha papel central. Brincar de casinha com lata e pedra envolvia criar um universo próprio, com regras, personagens e histórias que imitavam o cotidiano observado em casa.
Essas recordações aparecem em relatos de adultos que cresceram nas décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000, antes do acesso amplo a celulares e internet. A memória afetiva abrange o clima de bairro, a convivência com vizinhos, a sensação de segurança ao brincar na rua e o contato direto com o espaço ao ar livre.

Como funcionava a brincadeira de casinha com lata e pedra?
A brincadeira de casinha com lata e pedra seguia roteiros variados, mas alguns elementos eram comuns em diferentes lugares. A casa imaginária podia ser montada em um canto do quintal, sob uma árvore ou no meio da rua, marcada com riscos no chão, com cada criança assumindo papéis e responsabilidades.
Para organizar esse universo simbólico, as crianças transformavam materiais simples em utensílios e comida de faz de conta, experimentando o mundo adulto de forma lúdica. Os principais elementos utilizados na brincadeira costumavam ser:
- Latas usadas como panelas, copos ou potes improvisados;
- Pedras representando alimentos, como arroz, feijão ou carne;
- Folhas e flores imitando temperos, saladas ou chás de mentira;
- Terra e areia virando massa, bolos e outros pratos imaginários.
Por que as brincadeiras simples de infância duravam tantas horas?
As brincadeiras de infância que não exigiam dinheiro, como casinha com lata e pedra, podiam se estender pela tarde inteira sem perder o interesse. Um dos fatores era a liberdade para criar novas situações a todo momento, com histórias que nunca precisavam terminar de forma definitiva.
Outro aspecto importante era a ausência de pressa e de tecnologia intermediando o encontro, o que favorecia a interação direta. A seguir, alguns motivos que ajudavam essas brincadeiras a durarem tanto tempo e se repetirem dia após dia:
- Flexibilidade da história com enredos que mudavam conforme a imaginação;
- Participação coletiva em que cada criança sugeria ideias e cenas;
- Sensação de tempo livre com pouca atenção ao relógio durante a diversão;
- Aproveitamento do ambiente usando qualquer objeto encontrado no espaço.
Houve um tempo em que a diversão não custava nada e podia durar a tarde inteira. Brincar de casinha com lata e pedra fazia parte da criatividade das crianças.
Neste vídeo do canal O Bau da Camilinha, com mais de 100 mil de inscritos e cerca de 556 mil visualizações, essa lembrança aparece ligada à nostalgia da infância:
Como a nostalgia das brincadeiras influencia crianças e adultos hoje?
O sentimento de nostalgia de infância tem influenciado conversas entre gerações e até tendências culturais atuais. Muitos adultos relembram brincadeiras como casinha, carrinho de rolimã, esconde-esconde e pular corda, destacando que quase tudo era feito sem gasto financeiro e com forte convivência comunitária.
Ao compartilhar essas experiências, pais, avós e responsáveis apresentam às crianças de hoje um modo diferente de brincar, menos dependente de telas. Em alguns bairros e escolas, projetos resgatam jogos antigos para estimular criatividade, contato presencial e socialização, mostrando como a imaginação transforma materiais simples em entretenimento duradouro.
De que forma é possível resgatar brincadeiras com lata e pedra atualmente?
Mesmo em um contexto em que a tecnologia está presente desde cedo na vida das crianças, ainda é possível resgatar brincadeiras tradicionais. Propor momentos ao ar livre, organizar encontros entre vizinhos e dedicar tempo exclusivo a jogos sem telas são estratégias acessíveis para reativar esse tipo de vivência.
Famílias, educadores e projetos sociais podem adaptar a casinha com lata e pedra aos dias de hoje, mantendo a essência da imaginação e do convívio. Com poucos recursos, é viável criar cenários simbólicos que aproximem gerações e reforcem a importância das experiências simples na formação da memória afetiva.