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ONU critica falhas no inquérito sobre rede de abusos de Epstein

Especialistas independentes do Escritório de Direitos Humanos da ONU advertem que a divulgação de documentos sobre o pedófilo norte-americano expôs as vítimas e limitou a investigação

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Jeffrey Epstein (D) recebe Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca e ideólogo do movimento MAGA: conselhos e recomendações de advogados . Foto: Departamento de Justiça dos EUA via The New York Times

Um grupo de nove especialistas independentes da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que os arquivos do caso envolvendo o pedófilo e traficante sexual norte-americano Jeffrey Epstein “contêm evidências perturbadoras e credíveis de abuso sexual sistemático e em larga escala, tráfico e exploração de mulheres e meninas”.

“Esses crimes foram cometidos em um contexto de crenças supremacistas, racismo, corrupção, misoginia extrema e mercantilização e desumanização de mulheres e meninas de diferentes partes do mundo”, advertiram os peritos, que associaram Epstein à escravidão sexual, violência reprodutiva, desaparecimento forçado, tortura, tratamento humano e degradante, e feminicídio.

“A escala, a natureza, o caráter sistemático e o alcance transnacional dessas atrocidades contra mulheres e meninas são tão graves que várias delas podem, razoavelmente, atingir o limiar legal de crimes contra a humanidade”, acrescentaram.

Com a ajuda da namorada Ghislaine Maxwell, Epstein foi acusado de montar uma rede de tráfico sexual para abusar de centenas de garotas e colocá-las à disposição para a sevícia de poderosos nos Estados Unidos e no exterior. 

Os especialistas da ONU consideram que os chamados “Arquivos Epstein, que sugerem a existência de uma organização criminosa global, chocaram a consciência da humanidade e levantaram implicações aterradoras sobre o nível de impunidade para tais crimes”. Mais de 3 milhões de páginas, 2 mil vídeos e 180 mil fotografias compõem o último conjunto de arquivos, divulgado em 30 de janeiro passado. 

Os especialistas constataram graves “falhas de conformidade” e “censuras malfeitas”, que expuseram informações sensíveis sobre as vítimas. Segundo os peritos, a responsabilização pelos crimes da rede de tráfico montada por Epstein tem sido limitada — apenas Maxwell foi condenada a 20 anos de prisão, apesar de recrutadoras de menores para os abusos estarem livres.

Os peritos reforçam que “a falta de proteção da privacidade das vítimas as coloca sob risco de retaliação e estigma”. “Os graves erros no processo de divulgação ressaltam a necessidade urgente de procedimentos operacionais centrados nas vítimas.” Eles reforçam que os prazos de prescrição que impedem a punição a crimes atribuídos à organização de Epstein devem ser revogados.

Abusada por Epstein entre 2000 e 2003, Lisa Phillips classificou o alerta da ONU como “reconfortante”. “Ele reconhece que não foram abusos isolados, mas um padrão sistemático de exploração protegida pelo poder e pelo silêncio”, admitiu ao Correio. “Quando especialistas dizem que esses atos podem configurar crimes contra a humanidade, isso confirma a dimensão e a gravidade do sofrimento de muitas meninas.” O pedófilo foi encontrado morto, na prisão, em 10 de agosto de 2019.