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No Japão, pobres vivem em “favelas” que surpreendem com infraestrutura superior à de muitas cidades do mundo
A "favela" com organização urbana que desafia a ideia tradicional de pobreza.
Conhecido como a “Favela” do Japão, Kamagasaki, oficialmente Airin-chiku, fica em Nishinari-ku, na cidade de Osaka. Apesar do estigma social, o bairro surpreende pela infraestrutura superior funcional e pelo transporte eficiente, estando a poucos minutos das áreas mais movimentadas da metrópole.
Como Kamagasaki se tornou o centro da mão de obra japonesa?
A região ganhou relevância no pós-Segunda Guerra Mundial, quando se consolidou como polo de recrutamento de trabalhadores braçais para a reconstrução do Japão. O auge ocorreu na década de 1960, período em que cerca de 40 mil diaristas circulavam pela área, formando uma economia baseada no trabalho temporário e na construção civil pesada.
Com a automação industrial e o estouro da bolha econômica nos anos 1990, a demanda por esse tipo de mão de obra caiu drasticamente. Desde então, o bairro passou por uma transformação profunda, enfrentando o envelhecimento da população e a transição de centro operário para área marcada por moradia de baixo custo e políticas de assistência social.

Como é a qualidade de vida e infraestrutura em Kamagasaki?
Apesar do rótulo de “favela”, a infraestrutura local está muito acima do que se vê em áreas pobres de diversos países: ruas asfaltadas, iluminação pública eficiente e máquinas de venda automática espalhadas pelas esquinas. Dados da cidade de Osaka indicam que a região passa por um processo de transformação impulsionado pela Expo 2025 Osaka, elevando gradualmente os padrões habitacionais, embora também pressione os valores de aluguel.
Grande parte dos moradores vive em “doyas”, quartos extremamente compactos e acessíveis, originalmente destinados a trabalhadores solteiros. Embora persistam desafios sociais, como alcoolismo e solidão entre idosos, a rede de apoio comunitário é ativa, e os índices de violência física contra terceiros permanecem baixos durante o dia.
Conheça um lado pouco explorado do país mais moderno do mundo, onde a história e os desafios sociais se encontram. O vídeo é do canal Lucas Bigodinho, que conta com mais de 340 mil inscritos, e investiga Kamagasaki, a maior favela do Japão, detalhando sua rotina, infraestrutura e peculiaridades:
Qual a população, perfil urbano e social de Kamagasaki?
Estimativas apontam que entre 20 mil e 30 mil pessoas vivem na área, majoritariamente homens idosos e antigos trabalhadores diaristas. A alta densidade se explica pelas moradias compactas, prédios antigos com centenas de quartos pequenos que criam forte proximidade comunitária, embora muitas vezes isolada do restante da sociedade japonesa.
A demografia reflete o envelhecimento acelerado do Japão. Muitos moradores ajudaram a construir a moderna Osaka nas décadas passadas e hoje dependem de assistência governamental e do apoio de ONGs locais para garantir a subsistência.
A tabela abaixo resume fatores demográficos, econômicos e estruturais com base em informações públicas e verificáveis:
Fontes baseadas em dados aproximados aos do: e-Stat — Statistics Bureau of Japan, Population Census 2020.

Quais são os mitos e as realidades do distrito de Kamagasaki?
Durante décadas, Kamagasaki foi descrita mais por rótulos do que por fatos. Histórias repetidas sem contexto criaram uma imagem distorcida, muitas vezes distante do que se vê ao caminhar por suas ruas hoje. Quando se abandona o olhar apressado e se observa o bairro com atenção, surge um cenário mais complexo, humano e surpreendentemente organizado, inserido no coração de Osaka.
A tabela abaixo compara os estigmas mais comuns com o que realmente se observa no dia a dia, com base em dados oficiais e registros públicos. É um convite para enxergar Kamagasaki além do imaginário coletivo.
Fontes baseadas em dados aproximados aos do: Japan National Police Agency / Osaka City Government
Ao comparar mito e realidade, o bairro deixa de ser visto apenas como um “caso social” e passa a ser compreendido como realmente é: um espaço urbano singular, com desafios claros, mas também com estrutura, circulação ativa e uma dinâmica própria que se mantém viva todos os dias, ainda assim, superior a muitos lugares no mundo.
Kamagasaki entre contrastes e transformação
Viver ou visitar essa área de Osaka é encarar uma realidade marcada por contrastes, onde vulnerabilidade social convive com infraestrutura urbana eficiente. A posição estratégica e os custos reduzidos mantêm o bairro ativo e relevante dentro da dinâmica metropolitana.
- Conexão facilitada pela estação Shin-Imamiya Station, que permite chegar rapidamente a diferentes pontos da cidade.
- Moradia acessível que atrai mochileiros, trabalhadores temporários e pessoas em fase de transição.
- Requalificação urbana em andamento, com melhorias perceptíveis no transporte e nos projetos de habitação social.
Para quem deseja compreender uma face menos turística e mais autêntica de Osaka, Kamagasaki revela histórias de resistência, adaptação e humanidade em meio ao cenário urbano japonês.