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Trump ameaça Irã, defende domínio nas Américas e bate boca sobre imigração
Discurso bateu recorde de duração e ocorreu em meio à queda na aprovação do presidente
Donald Trump fez nesta terça-feira (24) o discurso do “Estado da União” mais longo da história, com cerca de 1 hora e 48 minutos de duração. A fala no Congresso incluiu ameaças ao Irã, defesa do domínio americano no hemisfério ocidental, ataques à imigração irregular e exaltação da própria gestão econômica.
O discurso ocorre em momento de queda na aprovação do presidente, às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Conhecidas como “midterms”, as eleições renovarão toda a Câmara e um terço do Senado. As duas Casas são controladas pelos republicanos, e pesquisas indicam que o governo pode perder ao menos uma delas.
Tensão com o Irã no centro da política externa
Trump relembrou os ataques militares americanos contra o Irã em junho de 2025, afirmando que as forças dos EUA destruíram o que chamou de programa de armas nucleares do país. Segundo o presidente, o Irã foi avisado para não retomar o programa, mas voltou a perseguir suas ambições nucleares.
“Eles já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior e trabalham para construir mísseis que em breve poderão alcançar os Estados Unidos”, disse Trump. Os dois países vivem aumento de tensões em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano. Os EUA querem que o Irã limite o enriquecimento de urânio e encerre o apoio a grupos armados no Oriente Médio. O Irã afirma que o programa tem fins pacíficos.
“Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”, afirmou. Trump também declarou: “Como presidente, buscarei a paz sempre que possível, mas nunca hesitarei em enfrentar ameaças aos Estados Unidos onde for preciso.”
Sobre outros temas de política externa, Trump disse que encerrou oito guerras, afirmação contestada por especialistas, comemorou o cessar-fogo na Faixa de Gaza e afirmou que está trabalhando para encerrar a guerra entre Ucrânia e Rússia.
Captura de Maduro e domínio americano

Trump citou a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, classificando o feito como “uma vitória colossal” para a segurança dos Estados Unidos e um “novo começo para a população da Venezuela”. O ex-ditador venezuelano foi levado a Nova York, onde está preso aguardando julgamento.
O presidente afirmou que está trabalhando com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para promover ganhos econômicos para os dois países. Elogiou ainda a soltura de prisioneiros políticos e levou um deles ao Congresso para reencontrar a sobrinha, Alejandra Gonzalez.
Trump disse também que está restaurando o domínio dos EUA no hemisfério ocidental, com o objetivo de garantir a segurança e os interesses norte-americanos e defender o país contra violência, drogas, terrorismo e interferência externa.
Bate-boca com democratas sobre imigração

O presidente voltou a atacar imigrantes em situação irregular, afirmando que a imigração sem limites estaria importando corrupção e criminalidade. Ele citou a comunidade somali em Minnesota, acusando autoridades e imigrantes de envolvimento em fraudes e crimes. A transmissão mostrou a deputada democrata Ilhan Omar, representante do estado e de origem somali. Foi no mesmo estado que operações para deter imigrantes irregulares resultaram na morte de dois cidadãos americanos em janeiro deste ano.
Em provocação à oposição, Trump pediu que se levantasse quem defendia a priorização de cidadãos americanos em vez de imigrantes ilegais. Os democratas permaneceram sentados, e o presidente disse que eles deveriam se envergonhar. Houve um breve bate-boca no plenário, e Omar gritou que Trump era um mentiroso.
O presidente pediu ao Congresso a aprovação do que chamou de “Lei Dalilah”, em referência a Dalilah Coleman, que em 2024, aos 5 anos, se envolveu em acidente com um caminhão dirigido por imigrante irregular, segundo Trump. A lei proibiria estados de conceder carteiras de motorista a imigrantes em situação irregular.
Trump também pediu aprovação de projeto que exige documento de identidade e comprovação de cidadania nas eleições — proposta que democratas prometem barrar no Senado. Defendeu ainda o fim das chamadas “cidades-santuário”, locais que limitam a cooperação com autoridades federais de imigração. Ao mesmo tempo, fez um aceno a estrangeiros que queiram viver legalmente no país. “Sempre permitiremos a entrada legal de pessoas que amem nosso país e trabalhem duro para mantê-lo”, disse.
Economia em destaque nos primeiros 40 minutos
Trump dedicou a abertura do discurso à economia, afirmando que os “Estados Unidos estão de volta, maiores, melhores, mais ricos e mais fortes do que nunca”. Criticou o governo anterior, de Joe Biden, dizendo que assumiu o país em crise, e declarou ter alcançado “uma transformação como ninguém jamais viu antes”.
Segundo o presidente, a inflação está em queda, a renda em alta e a produção de energia bate recordes. Ele elogiou o megapacote aprovado em julho que reduziu impostos, embora a medida tenha aumentado a dívida nacional, e criticou os democratas por votarem contra o projeto, afirmando que a oposição quer “machucar as pessoas” com impostos altos.
Trump também atacou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas a outros países, incluindo o Brasil, com base em uma lei de emergência dos anos 1970. Classificou a decisão como “frustrante”, enquanto os juízes acompanhavam a fala no plenário. Em resposta, anunciou uma nova taxa global de 15% sobre importados, afirmando que a medida poderá substituir o atual sistema de imposto de renda e aliviar a carga tributária dos americanos. Defendeu ainda que as tarifas ajudaram a evitar conflitos internacionais.
A economia era esperada como tema central, diante da preocupação dos eleitores com o custo de vida. Pesquisa divulgada pela Associated Press indica que 39% aprovam a condução da política econômica do presidente.
