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Ele trocou o conforto da cidade pela incerteza da roça e não se arrepende
Talvez a verdadeira riqueza esteja onde quase ninguém quer começar do zero
Ao deixar a cidade grande e começar uma vida na roça praticamente do zero, um trabalhador rural como o Carlos (nome fictício) encontra um cenário desafiador: terra bruta, pouca estrutura e a necessidade de transformar cada pequeno recurso em sustento. Essa mudança envolve adaptação, aprendizado diário e um olhar atento para tudo o que o sítio pode oferecer, desde a criação de animais até o uso estratégico da água, mostrando como o trabalho direto com a terra ainda é base importante para a alimentação e para a economia locais.
Como é começar uma vida do zero na roça
No início, a propriedade costuma ser apenas um terreno limpo, com mato e sem instalações, exigindo do produtor planejamento e muito trabalho manual. Aos poucos, ele constrói galinheiros, cercas, currais simples, tanques de peixe e áreas de pastagem, adaptando cada estrutura à realidade financeira e ao tipo de produção desejada.
Esse tipo de vida exige constância: não há pausa para cuidar de animais, de plantios e da manutenção das estruturas, mesmo em fins de semana ou feriados. Embora a rotina seja mais silenciosa que a da cidade, o campo pede atenção intensa, pois qualquer descuido pode comprometer produção, renda e alimentação da família.

Por que é importante ter de tudo em uma pequena propriedade rural
A expressão “na roça tem que ter de tudo” reflete a necessidade de diversificar para reduzir riscos e garantir segurança alimentar. Depender de uma única cultura ou de um só tipo de criação aumenta a vulnerabilidade a doenças, quebras de safra ou mudanças bruscas de preço no mercado regional.
Numa pequena propriedade, é comum reunir galinhas para ovos, vacas para leite, suínos para carne, além de frutas variadas e peixes em tanques, aproveitando cada espaço disponível. O excedente vira renda por meio de venda direta, feiras ou vizinhos e comerciantes locais, evitando desperdícios e mantendo o dinheiro circulando na própria comunidade.
Como a produção de ovos, leite, peixes e frutas garante sustento
A produção na roça costuma ser planejada para oferecer variedade de alimentos e gerar alguma renda mensal, mesmo em escala reduzida. As galinhas, geralmente, são um dos primeiros investimentos, permitindo colher dezenas de ovos por dia, suficientes para o consumo da família e a venda de parte da produção.
No gado leiteiro, pequenas propriedades costumam trabalhar com ordenha simples, muitas vezes apenas uma vez ao dia, com volume moderado de leite, mas estável. Esse leite atende o consumo da casa e pode virar queijos, manteiga ou ser vendido cru, de acordo com as normas locais, complementando o orçamento sem necessidade de grandes estruturas.
Como funciona o manejo de pasto e tanques de peixes na roça
No pasto, um manejo básico com roçadas periódicas e troca planejada de piquetes ajuda a manter a forragem em boa altura. Essa prática reduz a necessidade imediata de adubação pesada e evita áreas degradadas, contribuindo para a saúde do gado e para a preservação do solo.
Os tanques de peixes entram como mais uma frente de produção, muitas vezes com tilápias, tambaquis e outras espécies de água doce. Parte dos peixes é separada para engorda e outra para consumo da família, e a divisão entre tanques facilita o manejo na despesca e o controle de tamanho, garantindo proteína de qualidade ao longo do ano.
Como o uso da água e da energia influencia a rotina no campo
Entre os pontos mais sensíveis para quem mora na roça estão o acesso à água e o custo da energia, que impactam diretamente produção e bem-estar. Em áreas com córregos ou nascentes, produtores como Carlos montam sistemas de captação que respeitam o curso natural e garantem abastecimento para tanques, hortas, currais e bebedouros.
Para reduzir gastos com energia elétrica, muitos agricultores optam por soluções que aproveitam a força da água ou da gravidade, diminuindo a necessidade de bombas elétricas. A seguir, um exemplo simples de sistema de água muito usado em pequenas propriedades rurais:
- Captação: água coletada de córrego ou nascente em ponto protegido.
- Elevação: roda d’água ou sistema semelhante leva a água até uma caixa principal elevada.
- Distribuição: canos conduzem o recurso para pomar, horta, curral, galinheiro e casa.
- Retorno: água excedente volta ao leito natural, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.
Ele deixou a cidade grande para trás e decidiu começar do zero na roça. Com muito trabalho diário, foi construindo criação, organizando pasto, tanque de peixe e produção própria para sustentar a família.
Neste vídeo do canal Daniela Melina, com mais de 52 mil de inscritos e cerca de 130 mil de visualizações, essa trajetória no campo ganha espaço e mostra como dedicação e constância transformam a realidade:
Como a rotina na roça impacta a família e a educação das crianças
A vida rural cumpre papel importante na formação das crianças, que crescem vendo de perto o trabalho com a terra e os animais. Muitos pais envolvem os filhos em tarefas simples, como recolher ovos, alimentar animais ou acompanhar a ordenha, oferecendo pequenas recompensas financeiras para mostrar que cada tarefa tem valor.
O contato diário com a natureza, o silêncio da zona rural e o ciclo de produção de alimentos ensinam esforço, paciência e responsabilidade. Presentes e brinquedos aparecem em ocasiões especiais, reforçando a ideia de conquistas graduais e ajudando a nova geração a enxergar a roça como lugar de trabalho, sustento e herança familiar.
Qual é a importância da roça para a alimentação de quem vive na cidade
Mesmo distante da rotina urbana, a roça está diretamente ligada à cidade, pois boa parte dos alimentos básicos vem do esforço de pequenos e médios produtores. Ovos, leite, frutas, carne e peixes chegam às mesas depois de dias de manejo, planejamento e cuidado com animais e plantios, conectando campo e consumidor final.
Ao observar o caminho de produtores como Carlos, fica claro que a roça não é apenas cenário de tranquilidade, mas um espaço de trabalho contínuo, onde cada decisão sobre água, energia, criação e pasto tem impacto coletivo. Valorizar essa produção é reconhecer a importância do campo no abastecimento das cidades e entender que, por trás de cada produto nas prateleiras, existe uma história de adaptação, esforço e organização diária.