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Há mais de 50 anos vivendo da terra e sem precisar do mercado

Talvez riqueza não seja ter mais, mas precisar de menos

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Há mais de 50 anos vivendo da terra e sem precisar do mercado
Há mais de 50 anos vivendo da terra e sem precisar do mercado

Em uma pequena comunidade rural do interior, um casal de agricultores mostra, dia após dia, que ainda é possível viver quase sem depender da cidade. Joaquim e Benedita, nomes fictícios para preservar a identidade do casal, seguem uma rotina em que boa parte do que colocam no prato nasce, cresce e é transformado ali mesmo, na terra em que sempre moraram. O que falta é complementado com trocas entre vizinhos, em um sistema simples de apoio mútuo que lembra um passado cada vez mais raro e ainda muito atual para quem busca autossuficiência no campo.

O que é autossuficiência na roça e como ela funciona na prática

A palavra-chave nesse tipo de vida é autossuficiência na roça. No caso de Joaquim e Benedita, isso se traduz em um quintal diversificado, com mandioca, banana, cana, milho, abóbora, frutas cítricas e até abacaxi, garantindo comida o ano inteiro. A produção não se limita às plantações: há galinhas caipiras soltas pelo terreiro, porcos criados de forma rústica e um cuidado constante para que sempre haja algum animal para consumo próprio, sem depender de açougues ou supermercados.

Essa organização permite que o casal mantenha um cardápio variado com o que sai da própria terra, reforçando autonomia alimentar e redução de gastos. Quando algo falta, entram em cena as trocas com vizinhos, prática comum em áreas rurais tradicionais. Um leva mandioca, outro oferece ovos, um terceiro aparece com frutas da estação, criando uma rede de apoio que torna a vida autossuficiente no campo também comunitária, baseada em confiança e reciprocidade.

Há mais de 50 anos vivendo da terra e sem precisar do mercado
Enquanto muitos foram para a cidade, eles ficaram e prosperaram

Como é a rotina de quem nunca saiu da roça

A rotina do casal ilustra bem o que significa ser “da lida” e viver do próprio sítio. O dia começa antes do nascer do sol, por volta das 5h, com o cuidado dos animais, soltando as galinhas, verificando os porcos e observando o tempo para decidir o serviço do dia. Em seguida, vêm o preparo do café da manhã e a organização do trabalho na roça, que pode incluir capina, plantio, colheita ou manutenção de cercas e canteiros, conforme a época do ano.

Mesmo com idade avançada e problemas de saúde, como diabetes, a agricultora segue ativa, afirmando que parar é pior do que seguir em movimento. A noção de descanso está mais ligada a mudar de atividade do que a ficar parada. Em vez de longas pausas, o que se vê é um revezamento entre tarefas na lavoura, cuidados com a cozinha e momentos de prosa com quem aparece para visitar, numa rotina na vida rural marcada por disciplina e certa liberdade para organizar o próprio tempo.

Por que a comida feita na roça é tão valorizada

Na casa de Joaquim e Benedita, o coração do lar é a cozinha com fogão a lenha, símbolo de sabor e economia. Ali, o feijão cozinha devagar, economizando gás, enquanto um frango caipira vai para a panela, muitas vezes acompanhado de mandioca, carne de porco e farinha. Para eles, um prato simples com esses elementos já representa uma refeição completa, nutritiva e ligada à memória afetiva da família.

O preparo da farinha de mandioca é um dos destaques da rotina e exemplifica o cuidado com cada etapa da produção. O processo começa na lavoura, com a escolha da mandioca “boa”, que costuma levar cerca de dois anos para atingir o ponto ideal. Depois vem a etapa de descascar, prensar para retirar o excesso de líquido, coar e, por fim, torrar em forno apropriado até chegar ao ponto certo, garantindo sabor e conservação.

  • Plantio: escolha da mandioca adequada e respeito ao tempo de maturação.
  • Preparo: descascar, prensar e coar a massa com higiene e cuidado.
  • Torra: mexer continuamente até dourar, sem deixar queimar.
  • Armazenamento: deixar esfriar bem antes de ensacar, evitando umidade.

Dona Lourdes e Seu João nunca deixaram a roça e construíram uma vida inteira produzindo o que colocam na mesa. Da mandioca à galinha caipira, quase tudo vem da própria terra ou da troca com vizinhos.

Neste vídeo do canal Sítio Santa Cecília, com mais de 26.4 mil de inscritos e cerca de 133 mil de visualizações, essa rotina simples e cheia de energia mostra um jeito de viver que muita gente já não conhece mais:

Como a comunidade rural fortalece a autossuficiência no campo

Além do trabalho no próprio sítio, a vida desse casal mostra a importância da organização coletiva para quem deseja permanecer no campo. Na comunidade, uma associação reúne moradores para comprar equipamentos agrícolas em conjunto, reduzindo custos e permitindo acesso a máquinas que, individualmente, seriam inviáveis. Essa estrutura fortalece a vida comunitária no campo e incentiva famílias a continuar plantando, criando animais e produzindo alimentos de forma sustentável.

Ao mesmo tempo, o grupo se adapta aos tempos atuais sem abandonar as raízes. Mesmo mantendo hábitos antigos, o casal aderiu ao celular e à internet, ferramentas usadas para se informar, falar com parentes e acompanhar novidades. Não se trata de rejeitar a modernidade, mas de equilibrá-la com práticas tradicionais, fazendo conviver o fogão a lenha e as mensagens instantâneas, o plantio manual e a organização via grupos de associação.

  1. Manter produção diversificada no sítio para garantir alimentos o ano todo.
  2. Trocar alimentos com vizinhos sempre que possível para ampliar a variedade.
  3. Participar de associações rurais para dividir custos e acessar equipamentos.
  4. Usar tecnologia como complemento, sem abandonar a rotina da roça.

O que podemos aprender com quem nunca saiu da roça e quase não depende da cidade

A história de Joaquim e Benedita mostra que a expressão “nunca saíram da roça e não dependem da cidade” vai além de uma frase de efeito. Trata-se de um modo de vida em que trabalho contínuo, solidariedade entre vizinhos e respeito ao tempo da natureza se combinam para garantir alimento na mesa e autonomia. Em um cenário em que muitas famílias se afastam do campo, experiências como essa ajudam a entender como a autossuficiência rural ainda encontra espaço e significado em pleno século XXI.

Esse exemplo inspira quem busca reduzir a dependência de grandes centros urbanos, seja no campo, seja em pequenas hortas urbanas ou periurbanas. Ao valorizar a produção local, o apoio comunitário e o uso equilibrado da tecnologia, fica claro que é possível construir uma vida mais simples, resiliente e conectada à terra, mesmo diante das mudanças e desafios do mundo moderno.