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A “Cidade Imperial”, onde viveu o antigo rei, hoje encanta pelo clima europeu e tradição cervejeira no Brasil
Um pedaço da realeza na serra fluminense.
A névoa úmida que os petropolitanos chamam de ruço desce pelas encostas toda manhã de inverno e transforma Petrópolis numa cena de outro tempo. A 838 metros de altitude e a 68 km do Rio de Janeiro, a Cidade Imperial guarda em suas avenidas arborizadas o acervo mais completo do período monárquico brasileiro, a primeira cervejaria do país e a casa de um dos maiores inventores do mundo.
Por que Dom Pedro II escolheu esta serra fluminense
Dom Pedro I comprou a Fazenda do Córrego Seco em 1830, encantado com o clima ameno da serra fluminense. Seu filho, Dom Pedro II, foi quem concretizou o projeto: em 1843, assinou o decreto que criou a cidade e encomendou a urbanização ao engenheiro alemão Julius Friedrich Koeler, que desenhou as ruas largas, os canais a céu aberto e o traçado europeu que ainda organiza o centro histórico. A construção do palácio durou de 1845 a 1862, custeada com recursos pessoais do imperador.
Esse passado explica por que Petrópolis concentra tantos casarões, palacetes e igrejas de estilo neoclássico e neogótico em tão poucos quarteirões. A família imperial usou a cidade como refúgio de verão por décadas. Com a Proclamação da República em 1889, a corte partiu, mas o acervo ficou.

O que visitar no centro histórico da Cidade Imperial
Boa parte das atrações do centro histórico fica a poucos minutos a pé umas das outras, o que torna o passeio a pé a melhor estratégia para aproveitar o dia.
- Museu Imperial: instalado no antigo Palácio de Verão de Dom Pedro II, sob gestão do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). O acervo reúne mais de 7 mil objetos tridimensionais do Primeiro e Segundo Reinados. O ponto alto é a coroa de Dom Pedro II, feita em 1841 pelo ourives Carlos Marin com 639 diamantes e 77 pérolas. Visitantes calçam pantufas para preservar o piso original.
- Casa de Santos Dumont: apelidada de “A Encantada” pelo próprio inventor, a residência de 1918 tombada pelo IPHAN revela a personalidade de Alberto Santos Dumont em cada detalhe. A escada tem degraus em formato de raquete que obrigam todos a começar pelo pé direito. A casa não tinha cozinha: as refeições vinham do Palace Hotel vizinho. Em 2025, recebeu mais de 154 mil visitantes.
- Palácio Quitandinha: ex-cassino de 1944, com o maior salão de festas da América Latina, hoje administrado pelo SESC Rio como centro cultural. A arquitetura normanda e o espelho d’água na entrada são cenário para exposições e eventos.
- Catedral de São Pedro de Alcântara: concluída em 1884 em estilo neogótico francês. Os vitrais e o mausoléu imperial, que guarda os restos mortais de Dom Pedro II e sua família, fazem dela uma das igrejas mais imponentes do Brasil.
- Avenida Koeler: a rua mais famosa da cidade, com casarões históricos alinhados ao longo de um canal. A Casa da Princesa Isabel fica aqui, tombada pelo IPHAN e visível apenas da calçada.
- Palácio de Cristal: estrutura de ferro e vidro de 1884, construída na Bélgica e montada em Petrópolis. Hoje abriga exposições culturais e eventos. Foi cenário histórico de assembleias do período imperial.
Petrópolis é a “Cidade Imperial” do Rio de Janeiro, um destino repleto de história, palácios e um clima de serra encantador. O vídeo é do canal Viajantes de Estação em Estação, que apresenta os 25 melhores pontos turísticos da região, incluindo o Museu Imperial, a Casa de Santos Dumont e o icônico Palácio Quitandinha:
Petrópolis é o berço da cerveja no Brasil
Em 1853, o imigrante alemão Henrique Leiden fundou em Petrópolis a primeira cervejaria do Brasil. A marca ficou conhecida como Bohemia em 1898 e continua ativa até hoje. A Setur Petrópolis reconhece a cidade como Capital Estadual da Cerveja, com mais de 20 cervejarias artesanais em operação.
No espaço da antiga fábrica da Bohemia funciona o Tour Cervejeiro, que apresenta a história da cerveja, o processo de produção e encerra com degustações. A cidade também sedia a Bauernfest, a segunda maior festa de cultura alemã do Brasil, que acontece anualmente em julho. O Circuito da Vila Cervejeira, no entorno do Palácio de Cristal, reúne cinco marcas locais num raio caminhável.

O que comer na serra fluminense
A gastronomia de Petrópolis combina influência alemã, portuguesa e serrana, com destaque para pratos de inverno que combinam bem com o clima de altitude.
- Fondue: queijo, carne ou chocolate, servido em pousadas e restaurantes do centro e de Itaipava. Prato mais pedido nos meses frios.
- Bacalhau: herança portuguesa presente em casas tradicionais como o Transmontano, referência da culinária da cidade há mais de 40 anos.
- Massas artesanais: influência dos colonizadores alemães e italianos, servidas em restaurantes do centro histórico e na Rua Teresa.
- Doces e bolachas alemãs: encontrados na Rua Teresa, que concentra lojas de roupas e confeitarias, especialmente movimentadas no inverno.
- Cervejas artesanais harmonizadas: os bistrôs do Circuito Cervejeiro oferecem menus com harmonização entre pratos serranos e rótulos locais.

Qual a melhor época para visitar Petrópolis?
O inverno é a alta temporada. O ruço, névoa característica das manhãs frias, adiciona charme especial ao centro histórico. Em julho, a Bauernfest atrai público de todo o estado. O verão tem chuvas frequentes, mas manhãs abertas permitem visitar os museus com tranquilidade.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme altitude e época do ano.

Como chegar à Cidade Imperial saindo do Rio
Petrópolis fica a 68 km do Rio de Janeiro pela BR-040, com tempo médio de 1h30 de carro, dependendo do tráfego. A empresa Única Fácil opera ônibus regulares saindo da Rodoviária Novo Rio, com viagem de cerca de 1h. Quem parte de São Paulo usa a BR-116 até o Rio e segue pela BR-040, percurso total de aproximadamente 450 km.
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Uma cidade que guarda o Brasil que quase não existe mais
Petrópolis oferece o que poucas cidades brasileiras conseguem reunir: patrimônio imperial preservado, cerveja com 170 anos de história, natureza de Mata Atlântica a 800 metros de altitude e uma gastronomia serrana que aquece qualquer tarde de inverno.
Você precisa subir a serra e conhecer Petrópolis, a cidade onde o Brasil do século XIX ainda tem endereço e está aberto para visita.