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Universidades enfrentam pressão para se reinventar na era da IA e das incertezas

A educação formal prolongada reduz o risco de morte em até 34%, e universidades são pressionadas a integrar a inteligência artificial (IA) em seus currículos. Angelo Toyokiti Yasui reforça que a universidade deve buscar equilíbrio entre excelência e equidade, além de fortalecer sua função social por meio da extensão e da cidadania.

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Um estudo divulgado na revista The Lancet Public Health concluiu que cada ano adicional na educação formal — seja na escola ou no ensino superior — reduz em 2% o risco de mortalidade, e ter concluído todo o ciclo de ensino (fundamental, médio e superior) equivale a uma redução de 34% no risco de morte ao longo da vida. Esse dado ilustra o valor social do ensino superior em tempos de rápidas transformações.

Paralelamente, especialistas apontam que a inteligência artificial (IA) já está se tornando infraestrutura essencial para as universidades. Segundo Ravi Pendse, vice-presidente e diretor de tecnologia da Universidade de Michigan, espera-se que estudantes universitários tenham ao menos um curso sobre IA, ou amplo acesso a ferramentas dessa tecnologia.

Relatórios internacionais indicam que a adoção de IA na educação superior tem sido associada à personalização do aprendizado, análise de desempenho acadêmico e apoio à pesquisa. Esse movimento tem levado instituições a revisar modelos pedagógicos e processos administrativos para acompanhar as transformações tecnológicas.

A transição para ambientes mais digitalizados ocorre em um contexto em que modelos tradicionais de ensino ainda permanecem presentes em parte das instituições. Estudos sobre inovação educacional apontam que estruturas organizacionais mais rígidas podem demandar maior tempo de adaptação às mudanças tecnológicas, especialmente quando envolvem reformulação curricular e desenvolvimento de novas competências.

Pesquisadores da área de educação e tecnologia também discutem desafios relacionados ao uso da inteligência artificial no ambiente acadêmico. Estudos apontam que, embora a tecnologia amplie o acesso à informação e facilite a produção de conhecimento, parte da literatura científica debate possíveis limitações na exploração de novas fronteiras, já que muitos sistemas são treinados com base em dados e algoritmos produzidos por humanos, o que pode gerar ciclos de retroalimentação no próprio conhecimento.

Pesquisas na área de educação também indicam desafios relacionados ao desenvolvimento de competências socioemocionais no ensino superior. Um artigo publicado no blog Elos Educação destaca que habilidades como pensamento crítico, colaboração, empatia e capacidade de adaptação têm sido apontadas como cada vez mais relevantes na formação acadêmica e profissional em contextos de transformação tecnológica acelerada.

De acordo com Angelo Toyokiti Yasui, pró-reitor do Centro Universitário Paulistana – UniPaulistana, a modernização do ensino superior precisa conciliar inovação e responsabilidade social. “A universidade precisa equilibrar excelência com equidade, garantir acesso e oportunidade sem nivelar por baixo”, afirma. Segundo ele, atividades de extensão acadêmica também desempenham papel relevante ao aproximar o conhecimento produzido nas instituições das demandas da sociedade.

Pesquisadores da área de educação também destacam que as transformações tecnológicas tornam mais complexo o planejamento curricular das universidades, já que ainda não é possível prever com precisão quais profissões poderão surgir ou desaparecer nas próximas décadas. Mesmo assim, estudos indicam que a formação universitária permanece associada a impactos positivos ao longo da vida, incluindo melhores indicadores sociais e maior expectativa de vida. Nesse contexto, o ensino superior segue exercendo papel relevante na formação para a cidadania, em linha com os quatro pilares da Unesco: aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer e aprender a ser.

Website: https://unipaulistana.edu.br/